JULGADOR TIK TOK

Pau que dá em Chico, dá em Sérgio

Dia desses, em sua campanha para se “eleger” “resolvedor”, “a última gota mato-grossense de esperança”, o conselheiro e presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Sergio Ricardo, fiscalizou in loco uma rodovia que não tinha acostamentos adequados.

Sol escaldante, camisa branca reluzente de mangas arregaçadas, mostrando mãos dispostas ao trabalho, fita métrica, enquadramento de imagem relembrando o “Mato Grosso Urgente”, e o jornalista, atrasado 20 anos, fez, como conselheiro, o trabalho que o deputado estadual que foi deveria ter feito à época, pois a estrada foi asfaltada quando Sérgio Ricardo, depois de fiscalizar companhias telefônicas, radares e lixo no Pantanal, conquistou os primeiros cargos eletivos no Estado.

Ao receber críticas sobre a “papagaiada”, como resumiu o ex-governador Mauro Mendes, a “falação” para imprensa e redes sociais, à qual tem se dedicado nos últimos tempos, Sérgio respondeu como político, perguntando se os críticos eram contra a fiscalização.

Sim, respondeu como político. Um conselheiro sabe que fiscalizar é seu trabalho e faz isso julgando processos e contas; já um político sabe que, sem divulgação, sua fiscalização não atinge o público a quem presta contas. Vale mais a rapidez da denúncia do que uma solução demorada.

Não se pode negar que, até aqui, julgadores falavam nos processos e, em raros casos, sobre casos já julgados, pois tudo se resume aos autos de cada peça. Isso antes de o “@ego.com” se sentir satisfeito só quando exibe brilhantes lentes dentais para as câmeras e os flashes.

Críticas com réplica e tréplica entre o deputado Chico Guarnieri e o conselheiro Sérgio Ricardo, com acusações de “ventriloquismo” e de emendas parlamentares destinadas ao Tribunal de Contas sem a devida transparência na aplicação dos recursos, fizeram conselheiros de ambos pensarem em velhas expressões populares do tipo: “quem tem rabo de palha não pula fogueira”. Se bem que Chico está há pouco tempo como deputado — assumiu como suplente de Cláudio Ferreira, que se elegeu prefeito de Rondonópolis — e, em teoria, por estar há menos tempo nos “paióis” da vida pública, estaria mais à vontade em quadrilhas juninas e fogueiras.

Já que estamos em junho, custa nada pedir a “São Pedro Collor” que brigas egocêntricas nos levem a revelações que não estejam nem nos livros cuiabanos nem no gibi, sem transformar o TC É em TC Era.

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