CORPO NA REPRESA

Namorado assassinou professora por divergência patrimonial, aponta delegado

O delegado da Polícia Civil, Luiz Camargo, esclareceu que Joel Laureano Ferreira, de 46 anos, preso nesta quarta-feira (1º) pelo assassinato da professora Adélia Cristina de Oliveira Batista, de 49 anos, já possuía um histórico de violência contra mulheres. O crime, registrado em Castanheira, a 890 km de Cuiabá, é investigado como feminicídio.

Segundo o delegado, a motivação para o homicídio está relacionada a uma divergência patrimonial e ao ciúmes. A vítima, que tinha uma condição financeira melhor que a do acusado, desejava se separar, mas Joel não aceitava o fim do relacionamento.

“A motivação seria uma divergência patrimonial, já que a vítima estava querendo se separar e ele não estava aceitando a situação por dois motivos. O primeiro é o patrimônio, parece que a vítima tinha uma condição patrimonial melhor do que a dele, e também por questão de ciúmes”, afirmou o delegado.

O crime ocorreu na noite de terça-feira (30), por volta das 20h, na residência do casal. Durante uma discussão, Joel teria estrangulado a vítima com as próprias mãos. A professora apresentava sinais de estrangulamento e hematomas pelo corpo e foi encontrada em uma represa na zona rural de Castanheira, para onde o corpo foi levado após a execução.

De acordo com o delegado, a causa da morte foi confirmada pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec):

“Diante dessa discussão que teve lá por volta do horário do fato, cerca de 8 horas da noite, ele esganou, usou a constrição de pescoço da forma esganadora, com o manuseio das próprias mãos. Ele estrangulou, esganou essa vítima. Inclusive, a causa do óbito foi exatamente a fratura. Conversando com a Politec, a fratura do osso hioide. Então, ela morreu pela constrição do pescoço”, explicou.

Após o crime, Joel fugiu para uma área de mata, onde permaneceu escondido até ser localizado pelos policiais civis e militares na quarta-feira (1º). Ele foi preso e conduzido à delegacia.

As investigações revelaram que este não é o primeiro episódio de violência praticado por Joel contra uma mulher. Em 2024, ele foi preso em flagrante após tentar matar uma ex-namorada durante uma discussão.

Na ocasião, conforme registrado no boletim de ocorrência, a vítima procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com diversas lesões no rosto e marcas de estrangulamento no pescoço. Ela relatou à Polícia Militar que foi atacada pelo então companheiro, que a enforcou e desferiu vários tapas em seu rosto. Durante as agressões, ele ainda tomou o celular da vítima e tentou empurrar o aparelho dentro de sua boca.

Após o ataque, ele levou a mulher até a unidade de saúde, onde acabou preso pelos policiais. Durante as diligências, também foram encontradas duas armas de fogo na residência dele, mantidas sem autorização legal.

Apesar da gravidade dos fatos, Joel permaneceu preso apenas por um período. Posteriormente, obteve liberdade mediante medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. O equipamento, no entanto, foi retirado posteriormente em razão do que foi considerado bom comportamento — o que, segundo o delegado, evidencia a falha no sistema de monitoramento de agressores.

A Polícia Civil segue com as diligências para garantir que todos os aspectos do crime sejam esclarecidos. O corpo da professora Adélia Cristina de Oliveira Batista foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames complementares.

 

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