O denuncismo tem causando alopecia em políticos e agitado a imprensa nas últimas semanas.
Denúncias causaram investigação no DAE sobre desvios de dinheiro público em pagamentos indevidos; denúncias de desvio de dinheiro público na reforma do prédio da Câmara Municipal da cidade; denúncias de caixa dois na campanha que elegeu a nova administração do Paço Couto Magalhães; denúncia de recebimento de quantias em dinheiro por vereadores para acompanharem a prefeita ou o presidente da Câmara; além de denúncia feita por um vereador contra uma vereadora por supostos recebimentos indevidos. E ameaças de divulgação.
Envolvidos: todo o poder público da cidade, menos um — aquele que renunciou.
A coincidência temporal dos fatos é flagrante.
Após o “diga ao povo que vazei”, áudios e vídeos começaram a pipocar, sempre no mesmo canal “Pó Pular”, com direito ao pagamento — talvez feito por São Sebastião — de um laudo particular atestando que a voz dos áudios que circularam recentemente é da prefeita.
Nesta quarta-feira, mais uma denúncia veio à tona por meio de um vídeo, divulgado no mesmo canal, mostrando o esposo da prefeita concentrado na contagem de cédulas de real em maços — muitos maços — dispostos sobre uma mesa.
Carlos Alberto de Araújo divulgou nota oficial sobre o vídeo.
Mesmo curta, a nota traz pontos que podem ser conflitantes.
Ao mesmo tempo que diz não ser possível afirmar a identidade da pessoa retratada, acionou sua assessoria jurídica avaliando medidas contra a exposição indevida de imagem.
Mesmo não se reconhecendo na imagem, afirma que, caso se trate dele, o registro seria antigo e ligado à atividade empresarial.
Se não se recorda nem se reconhece, como pode afirmar que o vídeo seria relativo à sua atividade empresarial? Pode ser até ajuda a algum deputado ou vereador amigo que gosta de guardar quantias em dinheiro em sua casa, já que, ao que parece, está acostumado a contar grande volume em dinheiro.
Por fim, adotando estratégia semelhante à utilizada por sua esposa, a prefeita Flávia Moretti, que não quer perícia nos áudios atribuídos a ela, mas no aparelho que realizou a gravação — incluindo aquele utilizado para “manter higienizado certo orifício do povo” —, Carlos lamenta a ausência de informações sobre origem, data, horário, local e finalidade da gravação de baixa qualidade.
Pela regularidade na “aparição” de gravações, isso está longe do fim. Ou seja: ainda há muita água para passar por baixo da ponte.

