O sorgo ganha espaço no agronegócio brasileiro, impulsionado pela demanda das usinas de etanol, pelo avanço das exportações para a China e pela evolução tecnológica. A área cultivada, atualmente estimada em 2,2 milhões de hectares, poderá dobrar até 2035, segundo projeção do consultor e analista agrícola Enilson Nogueira, do GETAP e da Céleres.
No mercado interno, o grão surge como alternativa ao milho na produção de etanol, especialmente em regiões como o Vale do Araguaia, em Mato Grosso. Mais resistente à falta de chuva e negociado entre 10% e 15% abaixo do preço do milho, o sorgo pode reduzir riscos na segunda safra e ampliar as opções de matéria-prima das usinas.
No comércio exterior, a China abre novas oportunidades por ser a maior consumidora mundial do cereal. As exportações brasileiras podem alcançar 2 milhões de toneladas na safra 2025/26, ante cerca de 100 mil toneladas no ciclo anterior. A evolução das sementes e do manejo também aumenta a competitividade, com lavouras que já atingem produtividade de 130 a 140 sacas por hectare na segunda safra. O GETAP anunciará, no fim de novembro, em Indaiatuba (SP), os primeiros vencedores da premiação Sorgo, voltada ao reconhecimento dos produtores.

