ENCERRAMENTO

Após 38 anos, “Chacina de Juara” volta ao Tribunal do Júri

O Tribunal do Júri da Comarca de Sinop realizará, no próximo dia 02 de junho deste ano, a partir das 8h30, o julgamento de sete acusados envolvidos no caso que ficou conhecido como a “Chacina de Juara”, crime ocorrido em janeiro de 1988 e que marcou de forma profunda a história criminal de Juara e de todo o Estado de Mato Grosso.

O julgamento ocorrerá na 1ª Vara Criminal de Sinop/MT, em sessão híbrida, quase quatro décadas após os fatos.   Segundo os autos, as vítimas Ademir Marques Ramos, Luiz Carlos Andrade dos Santos e João Batista da Silva foram retiradas da cadeia pública de Porto dos Gaúchos por um grupo de pessoas, após terem sido presas sob suspeita de envolvimento em um latrocínio ocorrido dias antes na região.

As investigações apontam que os presos teriam sido submetidos a sessões de tortura e posteriormente assassinados em praça pública, mediante extrema violência, com utilização de facões, foices, marretas, machados e pedaços de madeira. Os corpos foram expostos em local público, episódio que gerou enorme repercussão social e jurídica à época.

Os réus que irão a julgamento são Hildo Deodato Siqueira, Hilton Giocondo Saporski, Adão Rodrigues,  Jonas Dante, Agapito Generoso Batista, Sergio Gaspar Branco, Donizete Aparecido Silva, este último julgado à revelia.

O caso chegou a envolver dezenas de denunciados ao longo dos anos. Parte dos acusados já foi absolvida em julgamentos anteriores, outros tiveram a punibilidade extinta ou foram impronunciados por ausência de provas robustas.   Em razão da forte repercussão regional do episódio, o processo foi desaforado para Sinop, buscando garantir maior imparcialidade e segurança aos julgamentos.

O júri reacende debates históricos sobre justiça, memória, violência coletiva e os limites da atuação popular diante da criminalidade, trazendo novamente aos plenários um dos episódios mais emblemáticos da história criminal mato-grossense.

A sessão será aberta ao público, e a defesa dos acusados será realizada pela Defensoria Pública, e os advogados criminalistas Bruno Hintz, Maely Marques, Sônia Mara de Carvalho, Vanessa Cobos e Jorge Balbinote, profissionais que atuarão no plenário do Tribunal do Júri em defesa das teses apresentadas nos autos.

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