No campo da superstição, há quem acredite que a sorte venha até do azar, pode ser o caso de Várzea Grande.
A prefeita eleita para ser a gerente, em que pese toda a crítica feita ao antecessor de ser exatamente isso, um gerente colocado pelo grupo que deteve o poder por mais tempo na cidade, o jogo combinado era o mesmo.
Mas o improvável ocorreu, o “azarão” venceu e negou estribo.
Isolada politicamente após a renúncia de seu vice, que era quem detinha liderança do grupo que a elegeu e com oposição ferrenha do presidente da Câmara, que olha para sua cadeira com desejo, suspirando a cada pedido de afastamento, a prefeita se afogava em um mar de problemas insolúveis pelo escasso forro do caixa.
Os caminhos pelos quais, sorridente como influencer, pedalava na esburacada cidade, pareciam inclinados a desaguar (melhor trocar o verbo de sentido figurado), inclinados a desembocar, culminar, em afastamento, cassação ou definhar politicamente, sem chance de reeleição.
Que azar teve a cidade, não?
Mas eis que surge um outro vice, um que virou titular.
Com pesquisa comprovando que não é conhecido por quase metade da população de seu estado, Otaviano Pivetta, agora governador, viu na cidade um grande pedaço de bom-bocado eleitoral.
O segundo maior colégio eleitoral de Mato Grosso tem terreno fértil para promessas de quem detém a chave do cofre.
Novo Pronto Socorro, novo Terminal de Integração do Transporte Municipal, sede do Instituto Médio Legal (IML), pavimentação de ruas, Delegacia da Mulher 24 horas e declaração de ajudar a resolver o Departamento de Água e Esgoto (DAE), esse último o maior problema e nó da prefeita, podem fazer de Otaviano Pivetta o maior “prefeito” de todos os tempos da cidade industrial, com votação até para canonização.
Se a cidade estivesse em situação melhor, política e economicamente, seria natural que o candidato do partido da prefeita, Wellington Fagundes (PL), fosse quem estaria, neste momento, se comprometendo com o futuro do povo e apresentando projetos para uma dezena de carência da cidade.
Tudo será concluído? Pode ser que não, mas é a primeira vez que está se começando a construir o que se promete em ano eleitoral.

