Um homem de 35 anos, com três passagens criminais por violência doméstica, foi preso na noite desta quarta-feira (20), em Cuiabá, acusado de manter a ex-namorada em cárcere privado por seis dias, além de ter provocado fratura no maxilar dela durante uma agressão. A prisão ocorreu no Hospital H. Bento, para onde o suspeito havia levado a vítima para realizar um procedimento cirúrgico.
De acordo com o boletim de ocorrência, uma equipe da Polícia Militar foi acionada por volta das 21h20 por uma mulher que informou que sua filha estaria sendo mantida em cárcere privado desde a quinta-feira anterior (14/05). A comunicante relatou ainda que a vítima havia sido agredida fisicamente pelo ex-namorado, com fratura no maxilar, e que ambos estavam no hospital para a realização da cirurgia.
No local, a mãe apontou o suspeito, que saía do hospital. Ele foi abordado e recebeu voz de prisão. Durante a detenção, a equipe policial descobriu que o homem havia discutido com o médico responsável pela cirurgia. O profissional já desconfiava de violência doméstica diante do nervosismo do suspeito e do fato de ele se recusar a chamar familiares da vítima para assinar o termo de risco cirúrgico. A cirurgia, já paga via PIX, dinheiro e cartão de crédito, precisou ser adiada.
A vítima, que já estava no centro cirúrgico, foi informada sobre a prisão. Em depoimento à polícia, ela contou que estava no apartamento do suspeito, no bairro Jardim das Palmeiras, desde a quinta-feira. A agressão ocorreu quando o homem pegou o celular dela desbloqueado enquanto ela tomava banho. Ao ver conversas antigas com outro rapaz, ele passou a agir de forma agressiva e ciumenta.
O suspeito adentrou o banheiro e desferiu um forte soco na boca da vítima, causando intenso sangramento e lesão grave. Ela chegou a engasgar com o próprio sangue e gritou por socorro, mas não foi ouvida por vizinhos. O homem quebrou o aparelho celular dela e usou panos para conter o sangramento e impedir que ela gritasse.
Desde a agressão, a vítima permaneceu sentindo fortes dores sem receber atendimento médico imediato. O suspeito a impedia de deixar o apartamento, mantendo-a trancada e sem meios de comunicação. Quando saía, deixava o imóvel fechado. A mãe só conseguia falar com a filha por meio do celular do agressor, sendo coagida a afirmar que estava tudo bem.
Na segunda-feira (18), o homem levou a vítima a uma clínica, onde exames de tomografia constataram fratura em dois pontos do maxilar, com indicação cirúrgica. Diante do alto custo, por orientação da própria mãe do suspeito, ela foi levada ao Hospital H. Bento.
Durante o cativeiro, a vítima conseguiu, em um momento de ausência do agressor, acessar o navegador da Smart TV e enviar um e-mail pedindo ajuda a uma amiga. A amiga então comunicou a situação à mãe da vítima. Posteriormente, com o celular já consertado pelo suspeito, a vítima conseguiu confirmar os fatos à genitora.
A vítima relatou ainda que manteve relacionamento com o suspeito por cerca de dois anos, período no qual já havia sofrido agressões físicas e violência psicológica, além de ameaças para que não denunciasse. Eles estavam separados há sete meses quando o homem a convidou para ir ao apartamento — ocasião em que ocorreram as agressões e o cárcere privado.
O suspeito foi conduzido ao plantão de Violência Doméstica e Sexual contra a Mulher, juntamente com a vítima e sua mãe, para as providências cabíveis. Ele foi apresentado algemado diante do risco de fuga, sem lesões corporais. Um advogado acompanhou a qualificação do boletim de ocorrência.
As naturezas criminais registradas incluem lesão corporal, dano qualificado, sequestro e cárcere privado, violação do artigo 147-B do Código Penal (dano emocional a mulher que prejudique seu pleno desenvolvimento ou vise a controlar suas ações mediante ameaça, humilhação, isolamento e outros meios que causem prejuízo à saúde psicológica), além de ameaça.
A vítima permanece sob cuidados médicos. O caso segue em investigação.

