O grupo de hackers Anonymous Brasil – que tem ações diretas e ataques voltados a políticos, empresários e outras personalidades – divulgou informações confidenciais e de cunho pessoal do ex-comandante do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), Juliano Chiroli e da coordenadora do Colégio Notre Dame de Lourdes, Marluce C. de Almeida da Silva. A situação é justificada por eles pelo fato de que os dois são responsáveis pelo sobrevoo de um helicóptero militar próximo às dependências da escola e que ocorreu no último dia 2 de setembro.
O protesto do grupo ativista foi divulgado por meio do site Etersec, e tem relação com o fato de a professora ter sido suspensa logo após tratar de assuntos político-partidários na instituição. Na ocasião, a mulher teceu críticas ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).
Um dia depois da suspensão da educadora, o Colégio Notre Dame de Lourdes encaminhou um ofício ao Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) pedindo uma apresentação com helicóptero para os alunos. O objetivo, segundo a unidade, seria para “semear e sensibilizar” aos alunos o “amor pela pátria”.
Porém, para o grupo de hackers, o sobrevoo do helicóptero e a justificativa apresentada por ambas as partes são ‘desconexas’. Assim é citado por eles um episódio antigo que se assemelha ao contrário do que houve na escola.
“Em meados de 2016, a extrema direita brasileira começou com um discurso muito esquisito sobre a tal “escola sem partido”. Bem, não era exatamente o único discurso esquisito e desconexo da realidade quando se trata da extrema direita, sobrou até para as mamadeiras!”, diz parte do comunicado do grupo.
“Esquisito porque política é algo inerente à nossa existência. Enquanto indivíduos que fazem parte de uma comunidade e por consequência de uma sociedade, nós praticamos política o tempo todo. Claro que é uma política diferente daquela exercida por “políticos profissionais e seus partidos”, mas ainda assim temos nossos valores e nossas convicções”, completa.
Para o grupo, a escola teve a tentativa de “sufocar os ideias defendidos” pela professora, o que foi concluído com a atitude da diretora. Eles questionam ainda o fato de como a responsável pela instituição conseguir requisitar a aeronave em tempo ‘recorde’.
“Mas fica a pergunta: como uma mera diretora consegue fazer um helicóptero militar sobrevoar a escola sem temer consequências? Inclusive gastando dinheiro público para tal ação? Simples, é o retrato da elite que acha que pode fazer o que quiser sem se importar com o restante”, destaca.
“Só que não é bem assim. Aqueles que se escondem sob mantos militares e não abrem espaço para o diálogo são simplesmente fantoches de um sistema ridículo que segue o mesmo modus operandi – provocar o medo como forma de controlar a população”, completa.
O caso do sobrevoo na escola está sendo investigado através de um inquérito aberto pelo Ministério Público Estadual (MPMT).
Foram divulgados da coordenadora e do militar dados que vão de CPF até mesmo endereço, valor de salário que cada um recebe e afins.

