“Com todo respeito, engraçado é que quando chegaram os trens [do VLT], teve foguetório na cidade, mas não tinha trilho assentado e ninguém falou nada. Foram pagos milhões e milhões de reais e os trens ficaram parados por 10 anos”, disse o secretário de estrutura de Mato Grosso (SINFRA), Marcelo Oliveira, pouco antes de emendar um “tchau obrigado”, na Audiência Pública que discutia prazos e custos das obras do BRT em Cuiabá, alegando proximidade de um infarto, caso segurasse coisas que queria, mas não podia falar.
Não é só o caso VLT em Cuiabá que tem a graça vista pelo secretário.
Não é engraçado usar erros de administrações anteriores, justificando atrasos de outro projeto totalmente diferente?
Também deve ser engraçado a cidade de Curitiba ter, em 1971, quando não se tinha esse tipo de obra por aqui, entregado o primeiro trecho do BRT em 3 anos, com a quantidade de quilômetros muito parecida com o primeiro trecho do BRT que aqui, na melhor das hipóteses, será entregue com o dobro de tempo, seis anos?
Não é engraçado que ninguém teve ainda um infarto por ter fechado as portas do seu comercio ou perdido o emprego, por todos os atrasos das duas obras, VLT e BRT, alcançados com louvor?
Marcelo tem razão quando acha engraçado que a Assembleia, depois de tanto tempo, resolva “fiscalizar” as obras.
O “mea culpa” feito pelo deputado Wilson Santos, assumindo uma falha “coletiva” na fiscalização, não explicou que a tal “coletividade da falha” se refere somente as autoridades e instituições envolvidas, incluindo Tribunal de Contas (TCE) e Ministério Público (MP), que deveriam ter feito a parte que lhes cabe, pois a população sempre reclamou muito sem ser ouvida.
Mas, cabe a pergunta:
Não é engraçado que convocações, cobranças e indignações como essa, só ocorram em ano eleitoral?

