O servidor público Valdivino Almeida Fidelis, de 65 anos, morreu na noite desta segunda-feira (11) após um confronto com policiais militares da equipe RAIO 02, no bairro Goiabeiras, em Cuiabá. Ele era funcionário do tradicional colégio Liceu Cuiabano e, segundo as primeiras apurações, estaria armado dentro de uma residência, onde mantinha uma mulher em cárcere privado, com indícios de tentativa de feminicídio.
De acordo com o boletim de ocorrência, a equipe RAIO 02 estava no Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) aguardando para prestar esclarecimentos sobre um furto quando, pelo rádio, tomou conhecimento de que um homem fazia uma mulher refém em uma casa no bairro Goiabeiras.
Ao chegar ao endereço, os policiais já encontraram equipes da área realizando o cerco ao imóvel, aguardando a chegada de tropas especializadas. Foi então que os militares ouviram um ruído vindo do interior da residência. Com a confirmação de que o suspeito estaria armado, a equipe decidiu adentrar o imóvel pelos fundos, escalando o muro.
Ao acessar a parte dos fundos da casa, os policiais visualizaram Valdivino pela janela, apontando uma arma de fogo contra a cabeça da vítima, que era obrigada a conversar com alguém pelo telefone.
Segundo o relato da PM, após alguns minutos, o suspeito abriu a porta dos fundos e se deparou com a equipe. Os policiais ordenaram: “Polícia, solte a arma e deite-se no chão”. Em vez de obedecer, Valdivino teria apontado o revólver contra os militares.
O idoso caiu ao solo, ainda com a arma em punho. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado via Ciosp, mas ao chegar ao local, os socorristas apenas constataram o óbito.
A vítima do cárcere foi retirada do imóvel em segurança. O local foi imediatamente isolado pelas equipes RAIO 01 e 02, com apoio do adjunto e do oficial de dia da RAIO, além de outras guarnições.
A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) esteve no local durante a noite e madrugada para realizar os trabalhos periciais. O oficial de área do 1º Batalhão da Polícia Militar (1º BPM) também compareceu e permaneceu acompanhando o desenrolar dos fatos.
Conforme os registros policiais, Valdivino Almeida Fidelis já possuía passagem pelo artigo 10 da Lei 9.437/97, que trata do porte ilegal de arma de fogo. A arma utilizada no confronto foi apreendida e encaminhada para perícia.
A Polícia Civil investigará as circunstâncias da tentativa de feminicídio, do cárcere privado e da morte decorrente de intervenção do Estado. A identidade da mulher mantida refém não foi divulgada até o momento.

