A Polícia Federal apresentou um balanço da Operação Tomada de Contas, deflagrada na quinta-feira (29), que investiga suspeitas de irregularidades em contratos administrativos e pagamentos envolvendo servidores do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). Ao todo, seis pessoas foram presas preventivamente e mais de R$ 4,3 milhões em dinheiro foram apreendidos. O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida é um dos alvos.
De acordo com a PF, a operação mobilizou mais de 180 policiais federais, responsáveis pelo cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão. As ações ocorreram em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Além do dinheiro em moeda nacional, os investigadores apreenderam US$ 106.865, € 19.870, £ 2 mil e 3.650 pesos argentinos. O material recolhido também inclui 27 aparelhos celulares, 31 veículos, 16 armas de fogo, 6.512 munições, 167 relógios e 112 garrafas de vinho.
Durante a operação, ainda foram registrados um flagrante relacionado a armas de fogo e um termo circunstanciado por ocorrência envolvendo drogas. Entre os detidos está o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Sérgio Ricardo de Almeida. Conforme as informações divulgadas, ele deverá permanecer no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), em Cuiabá.
Também tiveram a prisão preventiva decretada os advogados Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke. Eles devem ser encaminhados à Sala de Estado-Maior da Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
Roseli Loss, chefe de gabinete do presidente do TCE-MT e única mulher entre os seis alvos de prisão, será encaminhada ao Presídio Feminino Ana Maria do Couto May, na capital. Outro investigado preso é Adriangelo Barros Antunes, secretário executivo de comissão permanente do tribunal. Até as informações divulgadas, não havia confirmação sobre a unidade prisional para a qual ele seria levado.
Além dos seis alvos com prisão preventiva, o ministro Og Fernandes determinou medidas cautelares contra outros 15 investigados. São eles: Adjair Roque de Arruda, o conselheiro Alisson Carvalho de Alencar, Carlos Alexandre Pereira, Carlos Felipe Oliveira Almeida, Carlos Romeu Rodrigues Medeiros, Edson Luiz Ribeiro de Oliveira, Eneias Viegas da Silva, conselheiro Guilherme Antônio Maluf, Jocimauro Bento do Carmo, conselheiro José Carlos Novelli, Maurício Marques Júnior, Márcio Antônio Silvério, Olavo Lage Filho, conselheiro aponsetado Valter Albano da Silva e Vitor Turri Romano. Entre as restrições impostas estão a proibição de entrar ou frequentar as dependências do TCE-MT, inclusive acessar remotamente os sistemas institucionais, além de restrições ao exercício de funções e ao contato com pessoas ligadas à investigação.
A OPERAÇÃO
A Operação Tomada de Contas busca esclarecer possíveis irregularidades na administração de contratos e na liberação de pagamentos a fornecedores do TCE-MT. Segundo a Polícia Federal, uma das linhas de investigação apura a possível utilização da suspensão de contratos administrativos como instrumento de pressão sobre empresas, além de suposto tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos.
A investigação começou após uma denúncia anônima encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF), que apontava possível favorecimento de fornecedores do TCE-MT. A apuração reuniu informações sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.
Segundo a decisão, Sérgio Ricardo recebeu créditos que somaram mais de R$ 15,4 milhões em menos de dez meses. O documento também aponta 150 saques em dinheiro, que totalizaram R$ 15,6 milhões.
Grhegory Maia aparece com movimentações de aproximadamente R$ 32,3 milhões. Já Gustavo Fernandes da Silva teria movimentado cerca de R$ 15,8 milhões, enquanto Felipe José Glinke registrou créditos próximos de R$ 9,9 milhões. A decisão também menciona saques de R$ 3,5 milhões atribuídos a Roseli Loss. Em seis ocasiões, segundo o documento, o dinheiro teria sido entregue a Adriangelo Barros Antunes.






