Karine Estefane Pereira dos Santos, de 21 anos, morreu na noite de terça-feira (19) após ser baleada na cabeça, no bairro Mário Raiter, em Sorriso (420 km ao norte de Cuiabá). A jovem chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada ao Hospital Regional, mas não resistiu aos ferimentos. O caso, que inicialmente foi registrado como tentativa de homicídio, evoluiu para morte consumada.
De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, a equipe da Força Tática, em conjunto com o RAIO e guarnições do 12º BPM, atuava na Operação Tolerância Zero quando tomou conhecimento de um homicídio no bairro Vila Bela. Durante o deslocamento para apurar o primeiro crime, o Copom transmitiu via rádio que um segundo ataque a tiros acabara de ocorrer no bairro Mário Raiter.
Ao chegarem ao endereço indicado, os policiais localizaram Karine caída nos fundos de uma residência, apresentando perfuração provocada por disparo de arma de fogo na região craniana. Os bombeiros foram acionados, prestaram os primeiros socorros — a vítima ainda exibia sinais vitais — e a conduziram à unidade hospitalar da cidade, onde posteriormente veio a óbito.
Durante as averiguações no imóvel da vítima, os agentes encontraram sob o colchão uma sacola contendo aproximadamente 114 gramas de substância semelhante à pasta base de cocaína.
Vizinhos, que pediram anonimato por temerem represálias, relataram que dois indivíduos do sexo masculino e uma mulher invadiram a residência da jovem, efetuaram um disparo e fugiram correndo em direção a uma plantação de milho nas proximidades. Uma testemunha não identificada afirmou ter reconhecido dois dos suspeitos, fornecendo seus nomes às autoridades.
Com base nas informações, as equipes retornaram ao bairro Vila Bela, na rua Uruguai, onde o RAIO já havia detido dois suspeitos relacionados ao primeiro homicídio. Em entrevista técnica, um deles confirmou conhecer os envolvidos no atentado contra Karine, indicando seus endereços.
Os policiais se dirigiram então ao endereço de um suspeito no bairro Mário Raiter, sendo recebidos pelo irmão do acusado, que informou que o rapaz havia chegado momentos antes, trocado de camisa (peça posteriormente apreendida) e partido em direção ignorada.
Em seguida, as equipes localizaram outro suspeito, de 17 anos, na porta de sua residência no mesmo bairro. Abordado e submetido a busca pessoal, inicialmente negou participação no crime. No entanto, durante as buscas em seu quarto, os agentes encontraram escondido dentro do guarda-roupas uma pistola Taurus, calibre .40, com numeração suprimida, 45 munições intactas do mesmo calibre, um carregador e um aparelho celular Apple. Diante do flagrante, o adolescente admitiu seu envolvimento, afirmando que sua função era apenas monitorar a vítima, enquanto outros dois indivíduos — identificados apenas como “E” e “C” — teriam executado os disparos.
Uma terceira envolvida, de 21 anos, foi localizada em seguida. Ao perceber a chegada da polícia, lançou o celular ao solo na tentativa de danificá-lo. Abordada, declarou inicialmente que apenas presenciou a execução e apontou “E” como o autor dos disparos. Confirmou que, após os tiros, o grupo fugiu correndo em direção ao milharal e revelou que ficou responsável pela guarda da arma utilizada no crime.
Questionada sobre a motivação do atentado contra Karine, a suspeita informou que a vítima fornecia entorpecentes para “E”. Segundo seu relato, durante um “tribunal do crime”, os algozes dela teriam obtido informações mediante tortura de que Karine seria a fornecedora de drogas. A jovem estaria comercializando entorpecentes oriundos de outra facção criminosa, o que teria motivado a decretação de sua morte por ordem de indivíduos não identificados.
Diligências foram realizadas para localizar o suspeito “E”, mas, até o momento, ele não foi encontrado. Os envolvidos apreendidos — uma mulher de 21 anos, dois adolescentes de 17 anos e um de 16 — foram encaminhados à delegacia acompanhados de todo o material apreendido para os procedimentos cabíveis. A Polícia Civil segue investigando os dois homicídios e a tentativa de homicídio, que evoluíram para morte, todos ocorridos na mesma data, possivelmente interligados por disputas entre facções criminosas.

