JOÃO 8:32

Se o futebol é uma caixinha de surpresas, a política é um contêiner.

 

Não fossem os celulares, o versículo de João ainda trataria apenas de ignorância espiritual e do pecado, dando a quem o cita a aura de pureza em verdade personificada.

Em Mato Grosso o celular de um advogado assassinado funciona como “delação póstuma”, afastando juízes, revelando conluios e manipulação da justiça em favorecimento de quem pagou por um “direito” que não lhe era certo.

Negociatas, encontros revelados, juras de companheirismo eterno, tramoias, bandalheira, roubos, traições diversas, tudo guardado “seguramente” em uma caixinha eletrônica.

Hoje, duas revelações disseram bem mais do que foi realmente dito.

Em Brasília o senador Flávio Bolsonaro, ainda sem se desculpar com o jornalista que ele acusou de militante por perguntar sobre seu segredo com Vorcaro, acompanhado por lideranças do “centrão” e de seu partido o PL, fez outro pronunciamento sobre a mentira contada anteriormente, quando acusava outros de fazerem o que ele revelou ter feito. Ir até a casa de Daniel Vorcaro, ter com ele pessoalmente, quando ele já ostentava uma brilhante tornozeleira eletrônica. Os motivos da visita, contêm o mesmo número de inacreditáveis furos revelados quando desmentiu parte da própria mentira, na última sexta feira.

Se deu bem o governador Otaviano Pivetta, que suportou o olhar penetrante de Abilio Brunini, que havia se apressado em dizer que ninguém sabia sobre Vorcaro antes da sua prisão, e calmamente disse, na presença do prefeito que iria aguardar os próximos acontecimentos para um posicionamento.

Entre os apoiadores ao lado de Flávio, durante o “agora, eu juro”, um olhar vazio disfarçou o que deveria ser constrangimento, no semblante de quem sonha com o governo do Paraná. O ex-juiz e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, parecia relembrar seu embate com o ex-presidente da república, nas investigações, justamente de quem ele foi avalizar, a nova toda verdade, nada mais que a verdade, de hoje.

Ao final na nova explicação, O Flávio se retirou com todos os figurantes, sem responder perguntas de jornalistas e deve continuar assim, na moita, esperando, quem sabe, por novas revelações, vídeos, mensagens, pesquisas ou o rastro do dinheiro, aqui e em terras americanas.

Neste momento, se acredita, o que era festa na esquerda, passa a ser preocupação. Cuidados para não inviabilizar a candidatura de Flávio Bolsonaro devem ser tomados. Não há no mercado político, candidato com viabilidade eleitoral, que tenha teto de vidro com o mesmo tamanho e já trincado.

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