DR. DIOGO DA TEZ

“Sinto que Estou Louca, Mas É Só o Meu Corpo Mudando”: O Que Ninguém te Contou Sobre a Perimenopausa

A perimenopausa — a transição gradual para a menopausa — é uma das fases mais intensas e menos compreendidas da vida feminina. Muito antes de a menstruação cessar de vez, o organismo começa a enviar sinais claros de que as engrenagens hormonais mudaram de ritmo, dando início a uma complexa montanha-russa biológica. Por falta de informação clara e acolhimento adequado, muitas mulheres chegam aos consultórios tomadas por uma angústia profunda, acreditando que estão perdendo a sanidade ou o controle da própria vida, quando na verdade estão apenas atravessando uma tempestade fisiológica desencadeada pelo declínio oscilante de hormônios fundamentais, como o estrogênio e a progesterona.

Essa etapa costuma dar os primeiros sinais a partir dos 40 anos, manifestando-se por meio de um mosaico de sintomas sistêmicos que vão muito além das conhecidas alterações no ciclo menstrual e dos episódios de calorões. No campo neurológico e emocional, a queda e a oscilação do estrogênio afetam diretamente os receptores cerebrais e a regulação de neurotransmissores cruciais como a serotonina, resultando na chamada névoa mental — caracterizada por lapsos de memória, dificuldade de concentração e sensação de raciocínio lento —, além de irritabilidade desproporcional, crises de ansiedade repentinas e mudanças abruptas de humor sem qualquer gatilho externo aparente. O sono também é duramente atingido, surgindo a insônia de manutenção, o despertar precoce acompanhado de taquicardia e os suores noturnos, que comprometem a recuperação física e geram um quadro de fadiga crônica ao longo do dia.

Fisiologicamente, o termostato do corpo, localizado no hipotálamo, fica desregulado, desencadeando as famosas ondas de calor repentinas que sobem pelo peito, pescoço e rosto. O metabolismo sofre um desaceleramento perceptível, favorecendo o ganho de peso e a redistribuição da gordura corporal, que passa a se acumular com maior facilidade na região abdominal, mesmo em mulheres que mantêm hábitos alimentares saudáveis. No âmbito íntimo, a diminuição da vascularização e da hidratação dos tecidos leva à secura vaginal e ao desconforto nas relações, frequentemente associados a uma redução significativa da libido. Paralelamente, o impacto na pele e nos anexos cutâneos é expressivo: a perda acentuada de estrogênio acelera a degradação do colágeno e reduz a síntese de ácido hialurônico, tornando a derme visivelmente mais fina, seca, desidratada e sem viço, além de provocar o enfraquecimento das unhas e a perda de volume capilar.

Compreender a engrenagem biológica por trás de cada uma dessas transformações é um processo profundamente libertador. Reconhecer que esses episódios não são fruto da sua imaginação, tampouco sinais de fraqueza emocional, permite desconstruir a culpa e retomar o protagonismo da própria saúde. A medicina moderna oferece hoje um olhar integrativo que une ajustes no estilo de vida, nutrição estratégica, terapias de modulação hormonal adequadamente indicadas e tratamentos estéticos regenerativos voltados para a restauração da densidade cutânea e do bem-estar global. Atravessar a perimenopausa não precisa ser um fardo solitário, mas sim a oportunidade de inaugurar uma nova maturidade com acolhimento, equilíbrio, vitalidade e plena autoestima.

Dr. Diogo é dermatologista e proprietário da Clínica Tez.

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