Bradley Birkenfeld, ex-banqueiro do UBS em Genebra, conheceu por dentro o sistema de contas numeradas e estruturas financeiras usado durante décadas para proteger patrimônios mantidos no exterior. Em 2007, ele procurou as autoridades americanas e forneceu informações sobre práticas do banco, contribuindo para investigações que expuseram mecanismos utilizados para ocultar recursos e identificar seus verdadeiros beneficiários.
A experiência de Birkenfeld ajuda a entender a transformação do sistema financeiro internacional. Com registros digitais, maior troca de informações entre países e regras de identificação do beneficiário efetivo, rastrear recursos passou a depender não apenas de localizar onde o dinheiro está, mas de reconstruir quem controla os ativos, quais empresas e estruturas jurídicas são utilizadas e por onde os valores circulam.
A colaboração com as autoridades, porém, também teve consequências para o ex-banqueiro. Birkenfeld foi condenado e cumpriu quase três anos de prisão. Anos depois, recebeu US$ 104 milhões da Receita Federal americana. Agora, sua história chega ao Brasil com a expectativa de lançamento da biografia O Banqueiro de Lúcifer: Sem Censura, que aborda os bastidores das contas numeradas, estruturas offshore e a transformação do sigilo bancário internacional.


