Com a popularização das canetas emagrecedoras, como a tirzepatida (Mounjaro), um novo termo passou a circular nas redes sociais e nos consultórios de dermatologia estética: o chamado “bumbum de Mounjaro”. Apesar do nome informal, o fenômeno tem base fisiológica clara e merece atenção, principalmente quando o emagrecimento ocorre de forma rápida e significativa.
O “bumbum de Mounjaro” refere-se à perda de volume e à flacidez dos glúteos observadas em algumas pessoas após um emagrecimento acelerado. Isso acontece porque a região glútea possui uma importante camada de gordura subcutânea, responsável pelo contorno, sustentação e aspecto firme da área. Quando há uma redução abrupta do tecido adiposo, sem tempo suficiente para adaptação da pele e da musculatura, o resultado pode ser um glúteo mais “murcho”, flácido e com perda de projeção.
Além da redução de gordura, outros fatores contribuem para essa alteração estética. A diminuição da ingestão calórica, comum durante o tratamento com medicamentos emagrecedores, pode levar à perda de massa muscular quando não há consumo adequado de proteínas e estímulo físico. Soma-se a isso a queda natural da produção de colágeno com o passar dos anos, especialmente em mulheres a partir dos 40 anos, o que compromete ainda mais a firmeza da pele.
É importante destacar que o problema não está no uso do medicamento em si, mas na ausência de um acompanhamento global durante o processo de emagrecimento. Emagrecer com saúde envolve não apenas a redução de peso, mas também a preservação da qualidade da pele, da musculatura e do contorno corporal.
O tratamento do “bumbum de Mounjaro” deve ser individualizado e pode envolver diferentes abordagens da dermatologia estética. Tecnologias não invasivas, como radiofrequência e ultrassom micro ou macrofocado, são amplamente utilizadas para estimular a produção de colágeno, melhorar a firmeza da pele e promover efeito tensor. Esses tratamentos ajudam a recuperar parte da sustentação perdida após o emagrecimento.
Os bioestimuladores de colágeno também têm papel fundamental nesse cenário. Aplicados de forma estratégica, eles estimulam a produção natural de colágeno ao longo do tempo, promovendo melhora progressiva da flacidez e da qualidade da pele, sem alterar artificialmente o contorno corporal. Em casos selecionados, técnicas regenerativas, como o uso de bioestimuladores associados ou procedimentos autólogos, podem complementar os resultados.
Outro pilar essencial do tratamento é o cuidado “de dentro para fora”. A prática de exercícios físicos, especialmente o treino de força para glúteos e membros inferiores, é indispensável para recuperar o tônus muscular e melhorar o contorno da região. Alimentação equilibrada, rica em proteínas e micronutrientes, também é determinante para preservar massa magra e favorecer a regeneração tecidual.
Portanto, o chamado “bumbum de Mounjaro” não deve ser visto como um efeito inevitável do emagrecimento medicamentoso, mas como um sinal de que o corpo precisa de uma abordagem mais completa. Com acompanhamento médico, estratégias estéticas adequadas e hábitos saudáveis, é possível emagrecer, manter a saúde e preservar — ou até melhorar — o contorno corporal de forma natural e equilibrada.

