O ex-secretário de Fazenda, Rogério Gallo, ficará responsável por coordenar a análise dos gastos públicos de Mato Grosso para o próximo mandato do governador reeleito Otaviano Pivetta (Republicanos). A proposta prevê uma revisão das despesas de todas as secretarias e áreas da administração estadual, com o objetivo de conter custos, manter o equilíbrio fiscal e ampliar a eficiência dos serviços públicos.
A iniciativa pretende impedir o crescimento excessivo da estrutura administrativa e assegurar que o Estado mantenha investimentos equivalentes a pelo menos 15% da receita corrente líquida ao longo dos próximos quatro anos.
Segundo Gallo, o trabalho começará com um levantamento dos gastos e dos resultados apresentados por cada setor, especialmente nas despesas de custeio. A intenção é identificar oportunidades de economia sem comprometer a qualidade dos serviços oferecidos à população.
“Vamos levantar as despesas e as entregas de cada setor, especialmente os gastos de custeio, para identificar onde é possível fazer o mesmo ou mais com menos recursos. A reforma busca evitar o inchaço da máquina, preservando a qualidade dos serviços públicos e garantindo eficiência com o menor custo possível”, explicou Gallo.
Na sexta-feira (9), Pivetta também defendeu a modernização da gestão estadual e utilizou as redes sociais para pedir a participação da população na elaboração de propostas para reduzir despesas e melhorar o atendimento público.
A iniciativa ocorre em meio às discussões sobre a valorização dos servidores estaduais. Durante a campanha eleitoral, a vice-governadora Gisela Simona (União) defendeu medidas voltadas ao funcionalismo, que reivindica a recomposição das perdas inflacionárias acumuladas nos salários.
Entre os principais pontos de divergência está o pagamento retroativo de aproximadamente 19% referente à Revisão Geral Anual (RGA), relacionado ao período da pandemia de Covid-19.
Veto a reajuste amplia tensão entre governo e servidores
A revisão dos gastos públicos também deverá ocorrer em meio a divergências entre o Executivo e representantes do funcionalismo. Nesta semana, a base governista na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) manteve o veto ao reajuste salarial de 6,8% destinado aos servidores do Poder Judiciário.
A decisão foi tomada com 12 votos favoráveis à manutenção do veto, seis contrários e seis abstenções.
Entre as justificativas apresentadas pelo governo está a possibilidade de que o reajuste provoque um efeito cascata, estimulando reivindicações semelhantes de outras categorias e Poderes. Na avaliação do Executivo, a ampliação das despesas com pessoal pode comprometer o equilíbrio das contas estaduais e reduzir a capacidade de investimento.
Presidente eleito do TJMT defende negociação
Eleito para presidir o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) no biênio 2027-2028, o desembargador José Luiz Leite Lindote pretende retomar a discussão sobre o reajuste dos servidores do Judiciário.
O magistrado afirmou que buscará entendimento com o Legislativo e o Executivo para encontrar uma alternativa que permita a recomposição salarial. Para ele, a falta de diálogo entre as instituições prejudicou a tramitação da proposta anterior.
Lindote defende uma solução negociada que contemple a valorização dos servidores, mas que também considere os limites financeiros do Estado.
Com a revisão das despesas prevista para o próximo mandato, as negociações salariais e a definição das prioridades orçamentárias devem ocupar espaço central nas relações entre o governo estadual, o funcionalismo e os demais Poderes.

