Durante passagem por Cuiabá nesta quarta-feira (24), o escritor, psiquiatra, empresário e candidato à Presidência da República, Augusto Cury (Avante), fez críticas ao atual modelo de programas de transferência de renda, especialmente ao Bolsa Família, do Governo Lula.
Durante uma coletiva de imprensa, Cury comparou os efeitos que atribui ao benefício social a um fenômeno psicológico semelhante à Síndrome de Estocolmo, situação em que vítimas de sequestro ou abuso podem desenvolver vínculos de empatia ou lealdade com os próprios agressores.
“Nós precisamos nunca esquecer da Síndrome de Estocolmo. Na década de 70, dois sequestraram quatro pessoas que ficaram como reféns por dias, e quando eles saíram, todo mundo, os jornalistas ficaram impressionados, acharam que esses sequestrados iriam denunciar os sequestradores, e não ocorreu isso, eles desenvolveram uma certa empatia”, afirmou.
Segundo o candidato, o formato atual do Bolsa Família poderia dificultar a entrada de beneficiários no mercado de trabalho por causa do receio de perder o auxílio ao conseguir um emprego formal ou abrir um pequeno negócio.
“O Brasil está com dezenas de milhões de pessoas que estão no Bolsa Família, mas se nós dermos condições para que eles assinem a carteira ou tenham uma microempresa, sem medo de perder o benefício, milhões de pessoas no Brasil todo poderão entrar no mercado de trabalho e eles não estão entrando”, argumentou Cury.
Durante a passagem por Cuiabá, o candidato também direcionou críticas aos principais nomes da polarização política brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Cury afirmou que pretende chegar ao segundo turno da eleição presidencial e enfrentar diretamente o atual modelo de governo.
“O Lula tem medo que eu vá para o segundo turno”, declarou.
Na sequência, o candidato afirmou que pretende questionar o presidente sobre indicadores econômicos e sociais, além de fazer críticas ao nível de endividamento das famílias brasileiras.
“Eu quero chegar diante do Lula e perguntar: por que você se denomina ‘pai da pobreza’ onde 82% das famílias estão endividadas? Onde está o pai? Na verdade, ele não é pai dos pobres, é pai da pobreza.”
Além das críticas ao modelo fiscal e aos programas de transferência de renda, Cury defendeu mudanças no ensino médio brasileiro. Entre as propostas apresentadas está a ampliação da formação técnica e profissional, com cursos direcionados a setores considerados estratégicos, como tecnologia da informação, marketing digital e inteligência artificial.
A proposta, segundo o candidato, busca ampliar a qualificação profissional dos jovens e facilitar sua entrada no mercado de trabalho, diante do que ele considera um déficit de preparação para as novas demandas da economia.

