POR MARI SANTANA

Vota com a cabeça, não com o cansaço

Outubro chega e o Brasil vira uma sala de aula onde ninguém estudou, mas todo mundo quer dar palpite. De repente, o vizinho que nunca leu um jornal na vida virou analista de conjuntura, e o grupo da família no WhatsApp parece mais um comício mal organizado do que uma reunião de parentes. É nessa bagunça toda que a gente precisa lembrar de uma coisa simples: seu voto não é curtida, não precisa seguir a maioria e muito menos precisa ser decidido em cinco segundos porque o candidato tem um jingle grudento.

Bom senso, nessas horas, é artigo de luxo. Tem gente que escolhe candidato com mais cuidado do que escolhe fritura de rua, e tem gente que vota em quem promete resolver todos os problemas do país de uma vez só, como se governar fosse questão de vontade e boa lábia. Spoiler: não é. Promessa bonita é fácil, difícil é entregar. Antes de se apaixonar pelo discurso, dá uma olhada no currículo, no que a pessoa já fez, não só no que ela jura que vai fazer depois de eleita.

E aquela notícia bombástica que chegou às 23h com “URGENTE” em caixa alta? Desconfie. Fake news não tem hora certa pra aparecer, mas tem hora certa pra fazer estrago: sempre perto da eleição, sempre num tom dramático, sempre pedindo pra você compartilhar antes de pensar. Se a informação parece boa demais pra ser verdade ou raivosa demais pra ser séria, ela provavelmente é as duas coisas ao mesmo tempo: mentira bem embalada.

No fim, ninguém está pedindo pra você virar cientista político nem debater em rede nacional. Só pedindo um mínimo de esforço: ler o programa de governo, checar a fonte antes de repassar, e não votar só porque “todo mundo lá em casa vota nesse”. Sua escolha é sua, e ela tem peso. Não jogue fora por preguiça de pensar cinco minutos antes de marcar o número na urna.

Por Mariane Andressa Carreira de Souza Santana; Advogada, Mestre em Políticas Sociais e comentarista da Jovem Pan Cuiabá/MT @mari_souza_santana

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