POR RODRIGO PALOMARES

Sociedade da Cabeças nas Nuvens!

Advogado, Professor e Comentarista da Rádio Jovem Pan Cuiabá FM 96.7.

Desde o fenômeno da internet, o conhecimento humano deu um salto vertiginoso quanto à velocidade das pesquisas e de suas conclusões, se comparada à era analógica. Isto é inconteste!

Mas não se trata apenas de conhecimento acelerado que a internet proporcionou à humanidade. Dentre a infinidade de benesses e intempéries, eis uma que tem chamado a atenção: o fenômeno da terceirização da opinião própria e da própria criatividade.

Tais fenômenos têm sofrido um aumento dantesco, em especial, após a criação dos sites de busca, das redes sociais e, mais recentemente, da possibilidade do armazenamento de grande quantidade de dados (excedentes ou não) na “nuvem”.

Na realidade, a “nuvem”, assim nominada pelas empresas de BIGDATA, são hardwares próprios com alta capacidade de armazenamento, o que trouxe a possibilidade de terceirizar o armazenamento de dados do computador doméstico (limitadíssimo) para esses gigantescos latifúndios de dados.

Com isso e outros fenômenos, como o das redes sociais e dos bancos de informações, pesquisas e afins, ocorreu uma transformação social sem precedentes, que tem transformado grande massa da sociedade mundial em meros replicadores de informações e dados produzidos por essas plataformas dantescas!

O que era para impulsionar o saber, o conhecimento e provocar o fervilhar de novas criatividades tem, opostamente, criado experiências artificiais, deixando grande parte da sociedade como seres humanos opacos e vazios de saberes e criatividade, pois contentam-se com a comodidade de serem ultradependentes da tecnologia do saber, submetendo-se e terceirizando todo o seu pensar à tecnologia, sem a qual o pânico e o caos em suas vidas individuais estarão instaurados e, socialmente, haverá a derrocada da massa intelectual.

Fica a reflexão: o autoconhecimento, fonte de toda liberdade do ser humano, está em xeque? Nesta sociedade, nos tornaremos apenas e tão somente como uma abelha em seu enxame, seguindo, sem pensar, a informação passada pelas big techs em troca do conforto e das comodidades que elas oferecem?

Talvez seja necessário tirar as cabeças das “nuvens” e reencontrá-las acima dos pescoços, reconhecendo-se como um ser autônomo e com pensamentos próprios, deixando de lado a opacidade e contribuindo com o progresso da sociedade, não apenas tecnológico, mas principalmente humano!

A pessoa morre quando deixa de ser criativa!

Obs.: Texto 100% criado e elaborado pelo autor, sem IA.

Rodrigo Palomares Maiolino de Mendonça

Advogado, Professor e Comentarista da Rádio Jovem Pan Cuiabá FM 96.7.

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