A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJMT) manteve a prisão de Vinicius da Silva Siqueira, um dos alvos da operação “Easy Money”, que desarticulou uma quadrilha que teria constituído uma “pirâmide financeira” que movimentou mais de R$ 39 milhões. Siqueira era uma espécie de “social media” da organização suspeita, chamada King Prime, e atuava na captação em massa de pessoas para sustentar o esquema.
Os magistrados seguiram por unanimidade o voto do juiz convocado para atuar na segunda instância do Poder Judiciário de Mato Grosso, Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, relator de um habeas corpus ingressado pela defesa de Vinicius da Silva Siqueira. A sessão de julgamento ocorreu na manhã desta quarta-feira (20).
A defesa do réu alegou que outras medidas cautelares diversas da prisão poderiam ser estabelecidas. A operação “Easy Money” foi deflagrada em agosto de 2021 pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), e cumpriu 17 mandados de prisão em cinco estados brasileiros, além de duas empresas – Skyline Investimentos, com sede em Osasco (SP), e a Holding Solumpay, em Maceió (AL).
Diferente do que sustentou a defesa, porém, Vinicius não era um “coadjuvante” na organização criminosa. De acordo com o voto do juiz Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, ele era um dos principais captadores de clientes, e seu papel ia além da divulgação do esquema por meio de vídeos no Youtube. O magistrado revelou que Siqueira faturou mais de R$ 800 mil na fraude, e entre seus bens possuía até mesmo um veículo Jaguar, avaliado em R$ 108 mil.
Dada a importância de Vinicius da Silva Siqueira para o esquema, o juiz entendeu pela manutenção de sua prisão.
EASY MONEY
A juíza da 7ª Vara Criminal do TJMT, Ana Cristina Silva Mendes, aceitou em setembro de 2021 uma denúncia contra 10 pessoas que fariam parte de uma organização criminosa por trás de uma pirâmide financeira. Mateus Pedro Ceccato, presidente da King Prime – organização que prometia lucro mensal de 33,9% em investimentos -, está preso em Rondonópolis (216 KM de Cuiabá), desde agosto deste ano.
Além de Mateus Pedro Ceccato, a Justiça Estadual também aceitou a denúncia contra sua esposa, Príscilla Dhane Pereira de Oliveira, também chamada de “Primeira Dama”, e que sempre estava “ao lado de Mateus nas publicidades, anúncios, lives e demais vídeos, para captação de vítimas”. Agnaldo Bergamim de Jesus, proprietário da Bentley Investimentos (que se “fundiu” com a King), e que teria uma “carta fiança” apresentada em materiais publicitários para “garantir” os recursos investidos (e que seria inidônea), também virou réu na ação.
A lista de réus é completada por Vanessa Fernandes Dutra, esposa de Agnaldo Bergamim, e “diretora financeira” da organização criminosa, Renato Evangelista dos Santos, Aline Lima Malta Evangelista e Vinicius da Silva Siqueira – estes três últimos, responsáveis por “captar os clientes em massa, por meio de vídeos em plataformas como Youtube e Facebook” -, Eduardo Alves Lopes, que atuava no aporte de “elevadas quantias” em dinheiro para a organização, além de Danilo Cerqueira dos Santos, que “lavava” e “distribuía” o dinheiro ao grupo, proprietário da Skyline Investimentos.
O rol dos denunciados é finalizado pelo policial militar Éder de Mello Gonçalves, morador de Cascavel (PR), o “Amigão Eder King”, apontado como “braço direito” de Mateus Pedro Ceccato. O grupo responderá por constituir organização criminosa, crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro.
Todos os réus encontram-se presos preventivamente com exceções ao casal Agnaldo Bergamin de Jesus e Vanessa Fernandes Dutra, bem como Eduardo Alves Lopes. O trio é considerado foragido da Justiça. Aline Lima Malta Evangelista foi beneficiada com a prisão domiciliar por ter um filho menor de 12 anos. Na decisão que aceitou a denúncia, a juíza Ana Cristina manteve a prisão preventiva dos réus.
O esquema de pirâmide revelado pelo Gaeco reuniu 40 mil pessoas e movimentou R$ 39 milhões.

