O governador Mauro Mendes mudou o comportamento e, em sua defesa, partiu para o ataque. Normal para ele.
A estratégia que antes começava com a negativa sobre o pedido de expropriação, agora pede aos parlamentares, que se posicionaram contrários, a se declararem favoráveis ao desmatamento ilegal que é praticado por 2% dos proprietários de terras.
O pedido feito ao STF, que está nas mãos de Flávio Dino, é motivado pela incapacidade do Estado em punir adequadamente os infratores, tornando o trabalho improdutivo e incapaz de frear as atitudes ilegais de uma pequena parte dos proprietários de terras.
O governador tem razão. Se multas resolvessem, não tínhamos mais queimadas e desmates criminosos no país. As multas anuladas na justiça reforçam a necessidade, neste caso, de endurecimento da lei.
Vamos ao “mas” da questão.
Depois do pedido feito, o agro espera a decisão de Dino e tem outras maneiras de combate, que passam pelo Congresso Nacional, onde a bancada que representa o setor é enorme. Um recuo do governador não fará diferença. A negativa também não fez.
Janaina Riva, que disputará, provavelmente com Mauro, uma das vagas ao senado, ergueu a bandeira do “Direito sagrado a propriedade” e Cattani a do “Agro é tudo”, pedido uma moção de repúdio a Mauro Mendes pelo pedido ao STF. Cattani olha com cobiça para a Câmara Federal, e sua defesa “cega” ao agro e a Jair Bolsonaro tem dado resultado, ele teve 11 mil votos em 2018 e 44 mil em 2022.
Outro ponto que Mauro tem razão, é quando faz uma diferenciação que as medições do desmatamento ilegal não fazem. Desmatamento sem autorização e desmatamento além do permitido.
E voltamos ao “mas”.
Os números gigantescos das queimadas, essas realmente ilegais, em 2020 e 2023, apontam para bem mais que 2% dos proprietários do estado, possivelmente envolvidos e que poderiam ficar sem suas terras.
A firmeza no combate às invasões, a concordância em retirar incentivos fiscais por conta da “Moratória da Soja” (pendente), número de quilômetros novos asfaltados, a estadualização da BR163, que corta o eixo da soja no estado e outras atitudes, lhe dão sustentação política no setor. Não vai ser uma “boa intençãozinha”, que vai por Mendes no mato. Mas vai precisar de um reforço no adubo, principalmente na Assembleia Legislativa, para conter o efeito “peru”, que basta um assovio para começar a gritaria.