OFUSCA E O FUSCA

O voto na briga

Estamos prestes a eleger as bancadas mais despreparadas para os legislativos estadual e federal que a polarização nos proporciona.

Chega dar saudade do tempo recente, onde a corrupção era o centro das discussões e motivo de voto.

Isso passou.

Com fim da onda petista e crescimento da representatividade opositora, de vários partidos a esse modelo de governo, veio a confirmação do pensamento que diz ser impossível que governantes sejam mais honestos que o povo que os elege, pelo simples motivo que a classe política e extrato dessa mesma sociedade.

O poder muda de mãos, muda a forma de dizer e fazer, mas a essência está lá. Tudo tal e qual já foi.

Grandes somas de dinheiro vivo guardados em caixas de sapato, vinho, mochilas, cofres com origem duvidosa, muito duvidosa continuam a ser flagrados pela polícia.

Mesmo ambiente favorável ao trambique, com grandes escândalos financeiros, INSS, Master, emendas parlamentares não rastreáveis, ultrapassando mandatos, etc.

Eleitores se deixaram levar, capturar pelo sentimento de pertencimento a grupos que não se propõe a resolver nenhum dos problemas nacionais e que, portanto, atinge esses mesmos grupos, mas sim, culpar os opositores pelo estado atual de coisas e só. Nem uma virgula a mais, quiçá propostas factíveis.

O exemplo mais recente é a primeira dama de Cuiabá e vereadora Samantha Iris, ao falar sobre um problema de saúde já instalado no país, logo, em todas as cidades, incluída a dela, que é a ludo mania, vício em jogos.

Sem opinião de como combater, distante de uma proposta de politica pública ou disposição em discutir isso em âmbito estadual, se eleita como deseja, a deputada estadual, se resume a pôr a culpa no PT e sua política econômica.

São os passos do marido, o prefeito Abilio, onde falar mal dos opositores, faz bem. Não precisa de proposta, projeto, metas, etc. Deu certo para ele e provavelmente dará certo para ela.

Cidade, estado, país, esqueça. Isso não interessa mais aos eleitores, que entre direita e esquerda, foram convencidos a votar na briga.

Como estamos falando sobre a percepção política do povo e sendo o segundo nome da Samantha, Iris, foi inevitável a comparação com a parte colorida do olho, que tem a missão de regular a quantidade de luz, se abrindo no escuro e fechando em ambiente claro.

Imagine que uma grande íris controle, a bel prazer, a luz (conhecimento) que chega até você, enquanto te distrai com deliciosas maledicências sobre uma suposta briga generalizada, porque um disse “ofusca” e o outro odeia a Volkswagen.

 

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