A Alessandra do Nascimento Gonçalves, de 29 anos, afirmou que matou a própria sogra, Maria Aparecida da Silva, de 53 anos, com a intenção de fazer o marido permanecer ao seu lado após a morte da mãe e desistir da separação. O crime aconteceu na manhã de sábado (22), dentro da residência da vítima, em Confresa, a 1.048 quilômetros de Cuiabá.
A declaração foi dada pela própria acusada durante interrogatório conduzido pelo delegado Daniel Moura. Segundo Alessandra, ela acreditava que o sofrimento causado pela perda da mãe faria com que o marido desistisse de deixar o relacionamento.
“Eu achava que se acontecesse alguma coisa com ela, e eu tivesse do lado do meu marido, ele não iria embora. Mas eu não tive coragem de sair de lá depois do que aconteceu, depois do que eu fiz. Eu me arrependi, não tive coragem de sair e deixar ela lá”, disse.
De acordo com a investigação, Alessandra teria planejado o assassinato e aguardado o momento em que Maria saísse para a varanda da casa. A vítima foi atacada com um pedaço de madeira e, posteriormente, asfixiada com um fio elétrico.
Ainda durante o depoimento, a acusada contou que acordou por volta das 4h para trabalhar, mas decidiu não ir ao serviço. Ela permaneceu na residência aguardando a sogra abrir uma porta dos fundos, quando teria iniciado o ataque.
Segundo Alessandra, Maria chegou a gritar durante as agressões, mas deixou de responder depois dos primeiros golpes. Após perceber o que havia feito, a mulher afirmou ter entrado em desespero e permanecido no imóvel.
Mensagem com oração
Um dos detalhes revelados durante o interrogatório foi que Maria Aparecida havia enviado uma mensagem contendo uma oração para a nora pouco antes de ser assassinada.
Alessandra afirmou que recebeu a mensagem, mas só teria visualizado o conteúdo depois de matar a sogra.
Segundo a Polícia Civil, sogra e nora mantinham uma relação considerada próxima. Maria, inclusive, costumava apoiar Alessandra durante os conflitos conjugais que ela enfrentava com o filho da vítima.
A investigação, porém, aponta que o homicídio teria sido planejado. A defesa da acusada tenta sustentar a possibilidade de um surto psicológico, enquanto os investigadores identificaram elementos que indicariam preparação e espera pelo momento adequado para atacar a vítima.
Prisão preventiva
Alessandra foi presa após o crime e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada no domingo (23).
A decisão foi proferida pelo juiz Nelson Luiz Pereira Júnior, da 3ª Vara Criminal de Porto Alegre do Norte. Para o magistrado, a preparação prévia, a espera pela vítima e a utilização de diferentes meios para provocar a morte demonstram, neste momento da investigação, risco à ordem pública.
A mulher deverá responder por homicídio qualificado por motivo torpe e por recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.

