ORA, VEJAM SÓ

Moretto não quer licitação na concessão do BRT

O deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos), aquele da comemoração efusiva pela licitação de um trecho de rodovia a ser asfaltado por uma empreiteira que, segundo ele, não mais lhe pertence e sobre a qual, no auge da celebração, declarou: “É minha”, está às voltas com outra licitação: a do BRT.

Moretto é presidente da Comissão de Infraestrutura Urbana e de Transportes da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e afirmou que licitações nem sempre garantem o melhor serviço ao contribuinte.

Tramita na AL/MT um substitutivo integral que permitirá que não seja realizada uma licitação para concessão do serviço do BRT em Cuiabá/VG.

O objetivo é entregar a concessão, graciosamente, para as empresas que já realizam o transporte público nas duas cidades.

O deputado tem razão. Nem sempre uma licitação entrega o que há de melhor para a população. Justamente no transporte público, realizado pelas empresas que atuam nas duas cidades, está a prova: é péssimo.

Tanto em Cuiabá quanto em Várzea Grande, os dois prefeitos prometeram, durante a campanha eleitoral, uma solução. Em Cuiabá, feriados e domingos passaram a ter transporte gratuito. Em Várzea Grande, gratuidade só para reclamar do serviço, por enquanto, e só.

As duas cidades se movimentam em CPIs para debater as concessões do transporte público. Na capital, objetivo, seriedade, transparência e resultados desceram antes do primeiro ponto; seguem alegres os desmandos, a falta de compromisso, o descumprimento de contratos, os atrasos, a falta de ônibus, as portas caindo e muitos “etcéteras”. Em VG, a CPI ainda está na garagem, com um cordeiro dirigindo um ônibus de lobos.

Mas daí, a nivelar por baixo o que será entregue no BRT, beira a sacanagem.

Para afirmar que licitação não garante o melhor serviço, o deputado citou: “Tem muitas empresas dando trabalho para o Estado de Mato Grosso em construção. Então, não quer dizer que a licitação garante eficiência.”

O argumento sugere que, a depender do deputado, essas empresas que “vêm dando trabalho” não precisam mais de licitação; podem receber a concessão, como se pretende com as empresas de ônibus, com lacinhos, flores e beijos nas mãos, sem concorrer com ninguém.

Essa afirmação de Moretto levanta mais suspeitas do que a comemoração pela vitória de uma empreiteira que, segundo ele, não é mais sua.

 

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