GRITOS NA CÂMARA

Me dá cá aquela palha

O episódio de conflito entre vereadores na Câmara Municipal de Cuiabá, na manhã desta quinta-feira (9), traz muito mais que um bate-boca, uma discussão acalorada, bafão, piti, descontrole e tudo mais usado para classificar o ocorrido.

A cena mais divulgada é a da vereadora Maysa Leão dando tapas na mesa diretora e tentando ter sua fala garantida, em resposta ao vereador Demilson Nogueira, aos berros com a presidente Paula Calil.

A presidente da Câmara, Paula Calil, em entrevista à Rádio Jovem Pan, disse que se concentra para nunca erguer a voz quando exerce sua função na Mesa Diretora, para não ser tachada de descontrolada, o que é corriqueiro quando uma mulher se exalta em uma discussão.

Foi o que aconteceu com a vereadora Maysa Leão.

Para fazer juízo de valor, seria necessário responder à seguinte pergunta: na mesma situação, se fosse um homem, seria diferente sua conclusão?

Há quem ainda lembre de embates à beira de agressão física no mesmo espaço, envolvendo somente vereadores, incluindo o atual prefeito, que foi vereador na mesma Casa.

Infelizmente, o bate-boca retirou de pauta os maiores questionamentos.

A nova CPI para investigar o rombo na Secretaria de Educação do município tem a mesma função das outras CPIs em andamento até o momento, que é evitar que uma CPI da oposição investigue, de fato, a atual administração?

O acionamento da Justiça pelo prefeito para que a maioria simples, metade dos votos, passe a vigorar para a retirada do impedimento de Paula Calil de se candidatar novamente à presidência da Mesa é, de fato, uma ingerência, interferência ou manobra de Abilio Brunini para defender seu interesse na reeleição de Paula?

Maysa depende de emplacar uma CPI, seja esta ou a de assédio sexual denunciado envolvendo um ex-secretário municipal, ou ainda uma que investigue, além dos livros caros na Educação, também compras supostamente superfaturadas, para facilitar seu caminho para uma cadeira na Assembleia Legislativa?

Em sua rede social, até agora, Maysa somente replicou as publicações feitas por vários veículos de comunicação sobre o ocorrido, sem manifestação pessoal.

De todo modo, fica uma observação.

Problema algum a vereadora gostar de chá-mate; o cuidado deve ser com a marca.

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