O governador Mauro Mendes (DEM) negou, nesta segunda-feira (10), que o governo do Estado tenha recebido uma parcela do ‘orçamento secreto’ criado pelo governo federal para beneficiar parlamentares do Centrão. A informação foi revelada neste sábado (8) em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.
Conforme o jornal, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL) teria destinado R$ 138 mil para a compra de seis carretas agrícolas em Mato Grosso. O jornal ainda aponta um suposto sobrepreço, já que o preço de referência do governo federal para tais equipamentos é de R$ 60 mil.
O governador destacou que, como a reportagem cita a compra de equipamentos para prefeituras, é possível que esse repasse tenha acontecido diretamente na conta dos Municípios beneficiados.
“Se foi para as prefeituras, é uma relação provavelmente direta. O governo do Estado acabou de comprar um conjunto de equipamentos, que está chegando agora. O que nós compramos foi para agricultura familiar e, até onde eu sei, não tem emenda do deputado Arthur Lira”, disse.
Mauro destacou ainda que utilizou recursos do próprio caixa do Estado e de emendas de parlamentares de Mato Grosso para a compra do maquinário, ressaltando, mais uma vez, que não houve repasses de Arthur Lira ao Estado. “Essa daí, se existe, eu desconheço. Mas dinheiro é sempre bem-vindo, será sempre bem-vindo e bem aplicado”, completou.
Segundo a reportagem do Estadão, o ‘orçamento secreto’ do governo federal movimentou R$ 3 bilhões do Ministério do Desenvolvimento Regional. Esse dinheiro teria sido utilizado para “se aproximar” dos deputados do Centrão, em uma espécie de compra de apoios por meio de indicações dos parlamentares. A reportagem apresenta uma série de documentos nos quais os deputados tratam a verba como “minha cota” e “fui contemplado”.
Os recursos do ‘orçamento secreto’ foram usados, em sua maioria, para aquisição de equipamentos e maquinário pesado, a ser utilizado pelas prefeituras em obras nas áreas rurais e em projetos de agricultura familiar. Contudo, esses equipamentos foram comprados com sobrepreço de até 259% em cima dos valores de referência do próprio governo federal, já que os parlamentares indicaram até mesmo de quem o equipamento deveria ser comprado.

