O governador Mauro Mendes (DEM) disse não acreditar em uma ação política para barrar a importação da vacina Sputnik V, como afirmou o Instituto Gamaleya, que fabrica o imunizante russo. Em conversa com jornalistas, Mauro disse que não é plausível que algum brasileiro atue contra a possibilidade de conseguir mais vacinas contra a covid-19.
Na última segunda-feira, 26 de janeiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negou os pedidos de importação emergencial da vacina russa. O argumento é que o controle de qualidade não atingiu os critérios estabelecidos pela Anvisa e teria permitido a presença de vírus causadores do resfriado comum na vacina.
O Instituto Gamaleya e o governo russo reagiram em tom belicoso, acusando a agência de agir de forma política. Eles alegam que o imunizante já está sendo utilizado em mais de 60 países e não há relatos de efeitos adversos graves por seu uso. Essa afirmação foi reforçada por Mauro, que ainda comparou a Sputnik V com a vacina AstraZeneca/Oxford, alvo de investigações devido à possibilidade de causar trombose.
“Eu não posso fazer esse julgamento. Cada brasileiro e mato-grossense deve fazer o seu julgamento. Eu não posso acreditar [que haja ação política]. Seria um absurdo, um desserviço gigante ao País, se alguém, seja quem for, jogar contra termos mais vacinas em território nacional”, disse.
O governador lembrou que o ritmo de vacinação ainda está lento no Brasil, pois os cronogramas do Ministério da Saúde foram frustrados devido à falta de vacinas em todo o mundo. O veto à Sputnik V também impacta o planejamento do governo federal, que também negocia a compra de ao menos 10 milhões de doses da vacina russa.
Diante da lentidão da campanha federal, governadores do Norte e Nordeste se articularam para importar ao menos 66 milhões de doses da Sputnik V. Mato Grosso comprou 1,2 milhão de vacinas por conta própria e articulava mais 4 milhões de doses por meio do Consórcio Brasil Central (BRC).
“O que nós [governadores] queremos é ajudar. A gente não quer ficar aqui só criticando ou reclamando. Então, nós governadores estamos indo atrás e tentando comprar vacina para ajudar o país, ajudar na retomada da economia e salvar vidas. É a coisa mais desejada é tomar uma vacina e recuperar a sua liberdade, poder conviver com as pessoas, abraçar e retomar a nossa vida com total normalidade, ou pelo menos algo perto disso”, concluiu.

