O juiz Cássio Leite de Barros Netto determinou que a Controladoria Geral do Município de Cuiabá realize uma auditoria completa em todos os termos de fomento firmados entre a Prefeitura e o Instituto Brasil Central (Ibrace). A decisão integra o despacho que autorizou a deflagração da Operação Gorjeta, conduzida pela Polícia Civil.
A investigação apura a destinação de emendas parlamentares indicadas pelo vereador Chico 2000 (PL) para a realização de corridas de rua na capital. Conforme apurado, o parlamentar destinou cerca de R$ 3,65 milhões ao Ibrace para a execução dos eventos esportivos.
No entanto, as apurações revelaram que o instituto teria atuado apenas como intermediário no recebimento dos recursos públicos. Segundo a Polícia Civil, quem efetivamente organizava as corridas era a empresa Chirolli Esportes, pertencente ao empresário João Nery Chirolli. Ainda de acordo com a investigação, parte do dinheiro foi repassada para custear obras em um estabelecimento comercial ligado ao vereador, localizado às margens da rodovia MT-251, que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães.
Levantamento realizado pelos investigadores apontou que, entre novembro de 2022 e abril de 2025, o Ibrace recebeu R$ 5.489.787,00 provenientes de emendas parlamentares. Com a decisão judicial, aproximadamente R$ 2 milhões desse montante deverão passar por auditoria detalhada, com o objetivo de verificar se os valores foram integralmente aplicados conforme o objeto das emendas.
A Operação Gorjeta apura a suposta prática dos crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, que teriam causado um prejuízo superior a R$ 600 mil aos cofres públicos. Além do vereador Chico 2000, também são investigados o empresário João Nery Chirolli, Magali Gauna Felizmino Chirolli, Joacir Conceição da Silva, Alex Jony Silva e o próprio Ibrace.
Apesar de ter sido solicitado, o pedido de prisão do vereador foi negado pelo Judiciário, que determinou a aplicação de medidas cautelares. Entre elas estão o afastamento do mandato, a proibição de contato com outros investigados e testemunhas, a restrição de acesso às dependências da Câmara Municipal de Cuiabá e da Secretaria Municipal de Esportes, além da proibição de deixar a comarca e a entrega do passaporte.
A decisão judicial também proíbe o Poder Executivo e o Poder Legislativo de Cuiabá de contratar ou nomear quaisquer dos investigados enquanto durarem as apurações. Foi determinado ainda o bloqueio de R$ 676.042,32 em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.
Segundo os elementos reunidos pela investigação, o grupo teria se organizado para direcionar emendas parlamentares a um instituto e a uma empresa específica, com parte dos recursos sendo posteriormente “devolvida” ao parlamentar responsável pela indicação das verbas.

