O uso da Inteligência Artificial, principalmente nas escolas, vai de debate em debate, sem consenso sobre seus limites.
Em comum, há o entendimento de que, como ferramenta, é importante e, como tal, deve ser utilizada.
Recentemente, o Estado teve que proibir, por lei, o uso de celulares em sala de aula para que os alunos “comparecessem” de forma presencial, e não virtual, já que muitos permaneciam interessados, cada qual em sua tela, alheios ao conteúdo ministrado pelos professores.
A lei se fez necessário porque pais, boa parte nascida no século passado, não impuseram limites no uso.
São coisas diferentes, navegação na internet e uso da IA no aprendizado.
A internet é mais perigosa, porque é imediata e abrange desinformação, interação, abrigo para vícios diversos, etc.
A IA pode virar a calculadora, mas com consequências maiores.
Vejamos: nem os que fizeram ensino médio antes dos anos 2.000 recordam a tabuada. Fazer equações, até as mais simples, requer o uso da uma calculadora, que todos trazemos em smartphones.
Usando a virada do século como limite, o conhecimento não pertence aos mais velhos como antes.
Até então era necessário aprender, porque não se tinha um “professor” disponível o tempo todo.
Hoje temos a IA. Não é necessário aprender, reter o conhecimento para usar quando necessário, nem é necessário escrever, basta perguntar por áudio, que a resposta vem pronta e com sugestões, em segundos, e fica a sua disposição pelo tempo que precisar.
É fato que ninguém usa a fórmula de Bhaskara; o aprendizado tem outra função: desenvolver raciocínio lógico, pensamento analítico e, principalmente, aprimorar habilidades cognitivas, dando capacidade de simplificar situações mais complexas, ignorando detalhes irrelevantes, entre outras coisas.
Isso não se aprende usando a calculadora ou IA.
A preguiça de pensar pode ter encontrado a ferramenta ideal.
Navegar é preciso, viver não é preciso, disse Fernando Pessoa, e passou a vida explicando que o “preciso” da frase se referia à exatidão, e não ao verbo precisar.
Imagine agora, que nem saber é preciso.

