A frase “a vida começa aos 40” costumava ser usada para representar uma fase em que muitas pessoas passavam a aproveitar mais a vida, fazer novas coisas, se divertir, viajar, conhecer lugares e viver experiências que talvez tenham deixado de lado nos anos anteriores.
Porém, para uma parcela da geração que está chegando a essa idade, ou já passou, essa mudança também pode ser percebida em algo muito mais cotidiano: a maneira de passar o fim de semana. Depois de anos frequentando festas, bares, restaurantes e outros programas noturnos, muitas pessoas passaram a valorizar cada vez mais o conforto de casa, programas tranquilos e a possibilidade de não ter nenhum compromisso social.
Segundo a escritora e youtuber Paula Cassim, essa mudança de hábitos representa uma transformação na própria maneira como essa geração enxerga diversão e qualidade de vida.
Se antigamente 21h era o horário de começar a noite, hoje pode ser justamente a hora de estar voltando para casa ou, dependendo da rotina, já indo dormir. Passar no supermercado, pedir comida para o fim de semana, colocar o pijama e assistir a uma série no sofá pode parecer muito mais atraente do que enfrentar trânsito, estacionamento, filas e lugares lotados, muitas vezes sem cadeira para sentar.
Preferir ficar em casa também modificou os hábitos de consumo. Em vez de gastar constantemente com roupas para sair, parte desse público passou a investir mais em conforto: um bom sofá, colchão novo, televisão maior, eletrodomésticos para terem o mínimo de esforço (lava e seca, lava-louças, aspirador robô), utensílios, roupas de cama e, claro, pijamas.
Essa mudança não significa necessariamente isolamento. Um jantar tranquilo com amigos, uma viagem ou um show ainda podem fazer parte da rotina. A diferença é que, depois dos 40, o convite precisa valer a pena e vir sempre acompanhado de um lugar com o mínimo de conforto possível, som ambiente para poderem conversar, cadeiras para sentar, mesa para pedir uma porção, sem filas para entrar e, o principal: com horário certo para voltar para casa. Segundo Paula Cassim, muitos, ao sair de casa, já combinam com os seus parceiros até que horas, no máximo, ficarão no lugar onde nem sequer chegaram ainda.
“Talvez a grande diferença seja que você já sabe o que gosta e o que não gosta. Não precisa mais ir a todos os lugares só porque ‘sextou’”, explica Paula.
A geração que começou a trabalhar cedo, assumiu responsabilidades cedo e passou décadas correndo também parece estar descobrindo o valor de simplesmente não fazer nada.

