No Brasil, a jornada 6×1 só existe para o comércio e serviços, todos os outros setores, incluído o governamental, não usam ou nunca usaram essa escala de trabalho.
“Vai quebrar o país”, diziam os escravagistas ao comentar a Lei Áurea.
“Vai quebrar o país”, diziam os empresários quando foi instituído 15 dias de férias remuneradas em 1925, no governo de Arthur Bernardes.
O mesmo foi dito em 1943 quando, por decreto, se instituiu 30 dias de férias remuneradas, na Consolidação das Leis Trabalhistas a CLT.
Novamente em 1962, quando foi instituído o 13º salário, no governo João Goulart.
“Vai quebrar o país”, em 1988, quando foi acrescido 1/3 sobre a remuneração dos 30 dias de férias do trabalhador.
Não quebrou. Não causou desemprego. “Os mais pobres é que vão pagar a conta”, não colou.
De lá para cá, várias reformas, mini reformas e alterações vem diminuindo direitos trabalhistas.
Nunca existiu, nem existirá no Brasil, uma reforma para ampliar direitos dos trabalhares. A única função das tais reformas é a retirada de benefícios.
As relações de trabalho mudaram, o mercado mudou, ajustes são necessários, pois o trabalhador também mudou, não temos mais uma massa de analfabetos vendendo força física.
Assim como a retirada de alguns direitos e até a “pejotização” não escravizaram os trabalhadores, quatro horas de trabalho a menos por semana não irão quebrar empresários.
Não se trata de retirada de um dia de trabalho, são 4 horas. Saem as 44 horas semanais e se fixa a carga laboral em 40 horas, que é o consenso estabelecido em cima da proposta original de 4×3, que é um exagero, ainda mais se aplicada para quem não é parlamentar.
Usando como exemplo os ‘atacarejos’ e supermercados, que só fecham em dois dias no ano — no Natal e na Sexta-feira Santa — e funcionam das oito da manhã às 22 horas, alguém quebrou por necessitar de um número maior de funcionários? Justamente esse diferencial de funcionamento, entre outros fatores, é o que faz a diferença nas vendas.
Se você perguntar quem é favorável ao aumento da qualidade de vida, ao tempo com a família e ao intervalo de descanso, todos são — até você dizer para quem é o benefício.
Em 1998, os aposentados brasileiros foram chamados de “vagabundos”, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Funcionou.
A aposentaria que era aos 50 anos, passou para os 65 anos de agora.
Talvez seja mais eficaz que “vai quebrar o país”.

