CULPA DA EXPORTAÇÃO

Carne de segunda fica até 50% mais cara em Mato Grosso

O preço médio da carne bovina para os consumidores está 30,26% mais caro neste mês de maio, quando comparado ao mesmo mês em 2020. Os cortes das carnes de segunda concentram as maiores altas. O músculo, por exemplo, teve um incremento de quase 50%, no período. O preço no varejo contrasta com o melhor desempenho no número de animais abatidos e aproveitamento das plantas frigoríficas. Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

A demanda das exportações segue pressionando os preços da carne bovina para o consumidor interno, com tendência de nova alta. Esses constantes aumentos no preço da carne de boi têm afastado os consumidores das gôndolas dos supermercados. Segundo dados do Imea, o encarecimento da proteína no varejo concentra as maiores altas nos cortes considerados de segunda.

O quilo do músculo, que era vendido a R$ 20,41 em maio de 2020, hoje custa R$ 30,54, um incremento de 49,64%. Dentro dessa subida de preços, a carne ficou 5,88% mais cara só na passagem de abril para maio deste ano.

Depois do músculo, o segundo corte com maior alta (44,13%) é a capa de filé, cujo quilo saiu de R$ 20,95 em maio do ano passado para os atuais R$ 30,20. Na sequência, está a peça de acém (39,41%), que era encontrada por R$ 18,69, mas agora é tabelado em R$ 26,06.

A contrapartida vem dos reajustes menores para algumas carnes consideradas nobres. O quilo do filé mignon foi, dentre os cortes, o que menos teve valorização no período analisado, com reajuste de 14,62%. O corte também é um dos poucos que registrou queda nos preços de abril para maio, com redução de -1,24%.

Economistas alertam que a previsão é que a população seja impactada por mais uma onda de aumentos de preços da carne bovina. Parte desse valor deverá ser puxado por crescimento da demanda de países como a China. O país asiático é um dos principais mercados consumidores de carne argentina, mas não poderá contar com ele, já que o governo argentino proibiu as exportações de carne bovina. Isso criou mais espaço para o Brasil nos mercados internacionais, mas tende a refletir no bolso do consumidor interno.

“A medida deve aumentar a demanda chinesa por carne bovina brasileira durante o período em que estiver em vigor, cenário que, no curto prazo, somado ao período de retenção de fêmeas e oferta ainda enxuta de gado terminado no mercado brasileiro, deve pressionar os preços da arroba no mercado doméstico. O desenrolar da situação da exportação de carne bovina argentina merece atenção do setor pecuário brasileiro”, alerta Guilherme Ibelli, Zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria.

Com relação à inflação por faixa de renda em abril, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) destacou que proteínas de origem animal pesaram no orçamento das famílias de renda mais baixa. “No caso das famílias de renda mais baixa, além dos medicamentos, os reajustes, medidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) das carnes (1,0%), de aves e ovos (1,5%) e dos leites e derivados (1,5%) fizeram do grupo de alimentos e bebidas o segundo maior foco inflacionário para essa classe”, descreveu o Ipea.

O efeito disso foi que os mais pobres sentiram menos alívio da taxa de inflação registrada para todas as classes de renda em abril. “A queda apontada, no entanto, foi proporcionalmente maior para as famílias de renda média-alta e alta, cujas taxas de inflação passaram de 1,08% e 1,0% em março para 0,20% e 0,23%, respectivamente, em abril. Na outra ponta, as famílias de renda muito baixa foram as que apresentaram o menor alívio inflacionário, com uma taxa de variação de preços recuando de 0,71% para 0,45%”, apontou o instituto.

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