De Norte a Sul do país, os brasileiros acompanham perplexos a disparada de preços do gás de cozinha. Nos últimos 12 meses, o botijão de 13kg acumulou alta de 33,2% na média nacional. Isso fez com que os preços ultrapassassem a barreira dos dois dígitos, com registros de preços acima dos R$ 100 no 1º semestre deste ano. A alta é generalizada e assusta a população, mas apresenta um impacto menor entre os mato-grossenses, que já pagavam o botijão mais caro do país há mais de um ano.
Em 12 meses, o GLP de 13 kg comercializado no estado sofreu alta de 18%, a menor do país. Porém, quem mora em Mato Grosso está acostumado a pagar mais caro e assistir o estado revezar, com os demais, a 1º ou 2ª colocação do gás mais caro do Brasil.
Na primeira semana de agosto, a liderança ficou garantida ao registrar o maior preço: o vasilhame de 13kg está sendo vendido a R$ 112,28, segundo levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP).
No período analisado, a diferença entre o primeiro e o último do ranking estadual ficou em R$ 28,31, tendo o Rio de Janeiro o menor preço. Já o preço médio nas revendas apresentou alta na última semana em todo o país, fechando em R$ 93,22.
A composição do preço do GLP 13kg engloba, basicamente, quatro custos. Conforme coleta realizada pela Petrobrás entre os dias 25 e 31 de julho, o preço do gás de cozinha foi composto por 48,5% das refinarias e cerca de 14,5% entre encargos federais e estaduais. A margem bruta dos distribuidores e das revendas somaram 37,1%.
Desses componentes, o valor praticado pelos distribuidores e revendas são os com maiores variações entre os estados. No caso específico da revenda, Mato Grosso é o estado com a cobrança mais cara: R$ 36,91 em junho, quando o botijão era comercializado a R$ 109. O valor praticado pelas revendas mato-grossenses destoa da média do brasileira (R$ 21,42), ficando 42% acima. No levantamento de junho, a menor margem de preço entre as revendedoras ocorreu no Amazonas (R$ 5,52), onde o GLP 13kg era comercializado a R$ 93,25.
O custo logístico é usado como uma das justificativas para preços tão altos em Mato Grosso. O produto é envasado em outros estados e vem para o estado em caminhões, cujo frete varia e também depende do preço do diesel – outro combustível caro, que tem pressionado a inflação no país.
O JEITO É ECONOMIZAR
Com o gás mais caro, os brasileiros estão economizando o consumo do produto. Dados da ANP mostram que no mês de junho de 2021, o volume de vendas do GLP (até P13) apresentou redução de 2,39% em relação a junho de 2020. Segundo a agência, as vendas totais passaram de 876,1 mil m³ em junho do ano passado para 855,2 mil m³ no mesmo período de 2021.
Esse foi o terceiro maior volume de vendas para meses de junho da série histórica, segmentada por tipos de vasilhame, iniciada em 2010.
As vendas totais do 1º semestre de 2021, do GLP até 13kg, foram de 4,8 milhões de m³, uma queda de 3,37% em relação às vendas do mesmo período do ano de 2020 (5,0 milhões de m³).
Na comparação anual, todas as regiões tiveram queda no consumo: Nordeste (-4,95%), Centro-Oeste (-3,91%), Sul (-2,18%), Norte (-1,83%) e Sudeste (-0,31%).

