MORTE DE NERY

As reflexões que não serão feitas

O governador Mauro Mendes respondeu rápido (até rápido demais, já que a exoneração de um sargento foragido foi feita um dia antes) à notícia que coloca policiais militares da ativa envolvidos na morte, em meados do ano passado, do ex-presidente da OAB/MT Renato Nery.

Pelas redes sociais, Mauro, reafirmou a campanha de “Tolerância Zero” contra crimes, “para fora e para dentro do estado”, falando das providências tomadas na punição dos funcionários públicos com mandado de prisão pelo assassinato.

Em se confirmando as denúncias, os crimes de agora remontam a história dos “Crimes da Toalha Azul”, que ocorreram durante o governo Júlio Campos (1983-1987) e seu secretário de Segurança Oscar Travassos.

Veja o enredo: Um grupo de policiais “limpava” a vagabundagem da área com aulas de voo no Portão do Inferno, para onde os bandidos, alguns presos, eram levados e de onde os policiais retornavam sozinhos. Denúncias nunca levadas a julgamento.

E tudo foi bem até o dia em que o grupo resolveu ganhar dinheiro com o “serviço”, e começou a assaltar e matar.

No ano passado um grupo de militares foi acusado de forjar confrontos com suspeitos de crimes, onde os locais dos confrontos eram alterados. Como no portão do inferno, os policiais retornavam sem prisões.

E como nos crimes da “Toalha Azul”, cansaram de matar para receber elogios dos superiores e foram em busca de dinheiro.

Dois dos envolvidos na morte de Renato Nery, fazem parte do grupo de extermínio denominado “Os Mercenários”, que foram denunciados em junho do ano passado. Renato Nery foi assassinado em julho do mesmo ano.

A reflexão que não será feita pela sociedade é que o herói vingador, que em nome da justiça irá punir os malfeitores com a morte, não existe. Existem assassinos que fazem disso profissão. Não importa como começam e sim como terminam, matando por dinheiro.

Hoje, depois dos nomes divulgados, pôde se ouvir alguns suspiros de alívio na Assembleia Legislativa. A maioria dos deputados não terá que explicar a sociedade, as fotos, os apertos de mão, sorrisos e a moção de aplausos com que homenagearam dois assassinos de Renato Ney, pois a proposta de homenagear policiais que matassem fichados em confronto não foi aprovada.

Já na Câmara de Cuiabá existe o risco.

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