OS ANTI-VACINAS

A vacina e os direitos individuais

Não é de agora que existem movimentos anti-vacina em nosso mundo, na verdade eles se criaram antes mesmo da existência da vacina.
Para melhor compreensão, voltemos ao ano de 1700 na Inglaterra. Até essa data a luta contra a varíola era feita através da variolação, que consistia em amarrar um pano no braço de uma pessoa infectada e posteriormente amarrar o mesmo pano em uma pessoa não contaminada. Isso fazia com que a forma leve da doença se manifestasse, evitando um caso mortal.

Neste período surgiu uma nova técnica chamada de método Suttoniano, que consistia em fazer um arranhão na pele por onde era inoculado o material da varíola. E junto com o novo método surgiram os pró-inoculadores e anti-inoculadores, não sem um contorno político, pois a família real havia se utilizado do novo método.

E cá estamos séculos depois com registro de grupos contrários a vacinação contra a covid-19. E tudo se repete. Contornos políticos e negação da ciência. Quando os argumentos contra a ciência falham os tais direitos individuais são citados, citados até por quem diz ser favorável a ausência de direito, que seria a ditadura.

Estamos assistindo prefeitos, tentando restringir acesso a lojas, festas, bares e restaurantes a quem não apresentar comprovante de vacinação. Duas cidades em Mato Grosso editaram decretos parecidos. Não vejo chance de se prosperar a prática. Os decretos trazem uma terceirização na fiscalização e na penalização. Se um cliente não apresentar carteira de vacinação ou documento que se iguale, e for atendido, o comerciante será multado. Os decretos não atingem os funcionários públicos e funcionários dos comércios onde será exigida a vacina.

Em Rondonópolis o caso parou na justiça. A primeira decisão foi favorável ao decreto, cabe recurso. Os chamados “passaportes da vacina” não terão vida tranquila.

Trago o assunto porque, acredito, de agora em diante as discussões irão se acirrar devido ao avanço da vacinação, tanto que o tema já reverbera na Assembleia Legislativa de nosso estado.

Aos brasileiros resistentes quero lembrar alguns fatos.

Aos que não querem se vacinar por orientação política: A mãe do presidente se vacinou, com sua aprovação e com a vacina mais criticada por ele. Filho do presidente vacinado pelo ministro da saúde publicamente. O presidente nunca negou ter se vacinado, preferiu não revelar e colocar o assunto sob sigilo.

Aos que não querem se vacinar e suspiram pelo exército no poder, lembrem ou pesquisem, a vacina contra a febre amarela foi obrigatoriamente aplicada em escolas e barreiras sanitárias entre estados.

A falta de informação era justificada em 1700, agora não. Além do que, é de conhecimento geral, nenhum direito individual pode se sobrepor ao direito coletivo. Pode se discutir as formas de se fazer, não a realização.

E pra quem já se vacinou e continua discursando contra; tranquilize-se, apesar de não existir remédio, a falta de vergonha não mata.

(Escrito por Paulo Sá)

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