CAUSA ANIMAL

A morte secreta dos bichos

Sem grandes feitos e com dificuldades nas “miudezas” da administração, a fragilidade do governo municipal sofre impacto até de dois filhotes mortos sob tutela de órgãos responsáveis.

Evidente que o prefeito ter sacudido seu plano de governo após ser eleito, livrando-se das promessas que fez em campanha para a área, colaborou bastante.

Não se trata de minimizar a importância do trabalho, mas de constatar que um problema simples, menor dentro da estrutura de um município, causou dois dias de explicações, com envolvimento de vereadores, Polícia Civil e Politec, culminando com pedido de bloqueio de R$ 15 milhões das contas municipais pelo Ministério Público.

Como sempre, a culpa foi de alguém que boicotou a administração e ligou para vereadores, e que será descoberto por um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que, seguindo o caminho de outros já anunciados, não será divulgado, pois a função não é essa, achar culpados, é somente isentar o prefeito, como sempre.

O problema não é de agora. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que resultou no pedido de bloqueio de R$ 15 milhões, foi firmado no final do governo de Mauro Mendes, quando foi prefeito.

O TAC vigente da Saúde (de humanos) nunca foi cumprido e ninguém fala nisso.

A secretária-adjunta, Morgana Tereza Ens, encontra-se morgando em suas merecidas férias até o final do mês, e os “Heins” foram respondidos pelo prefeito.

Duas surpresas foram vereadores de oposição não dizerem ser o prefeito incapaz de cuidar de cachorros e, portanto, os cidadãos não contarem com a “Brunini’s Care”, e a esquerda e o presidente da República não serem culpabilizados.

No tropeção, foi anunciada a desativação do prédio do Centro de Controle de Zoonoses devido às péssimas condições, a construção de outra estrutura em nova área, ainda incerta, e o credenciamento emergencial de hospitais veterinários particulares. Esse último item coloca em xeque a afirmação de que os animais não foram enviados para clínicas particulares porque se tratava de uma tarde de sexta-feira. Se elas existissem, não precisaria de novos credenciamentos emergenciais.

Aos defensores e sensíveis à causa animal, resta torcer para que as reformas e construções sejam executadas em tempo muito menor do que clínicas e postos de saúde de humanos são construídos e reformados. Aos demais, resta buscar um lugar confortável para assistir gente correndo atrás do rabo.

 

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