O cantor Odanil Gonçalo Nogueira da Costa, conhecido como MC Mestrão, foi preso na operação Ruptura CPX e é investigado por suspeita de envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho, em Mato Grosso. Ele foi preso pela Polícia Civil em Cuiabá, nesta terça-feira (31).
De acordo com as investigações, além de suposta participação em tratativas relacionadas à ocultação e negociação de veículos roubados, o artista também passou a ser alvo de apuração por conta de suas produções musicais, que conteriam referências diretas à estrutura e ao funcionamento da organização criminosa.
Segundo a Polícia Civil, MC Mestrão compõe e interpreta músicas que vão além de menções genéricas ao universo do crime, trazendo citações explícitas a integrantes, lideranças e regras internas da facção. As letras abordariam temas como disciplina, hierarquia e punições aplicadas dentro do grupo.
Um dos exemplos apontados é a música “Brigou, é Salve”, na qual há menções ao chamado “disciplina” e à dinâmica de ordens transmitidas dentro da organização. Trechos da canção fazem referência a punições impostas a quem descumpre regras, além de citar consequências direcionadas a desafetos.
Outro ponto destacado nas investigações é a existência de músicas com menções a indivíduos apontados como integrantes da facção, incluindo lideranças regionais. Entre eles, aparece o nome de um suposto tesoureiro da organização, que também foi alvo de operação policial anterior.
A canção “Tropa do Nortão” também foi citada no inquérito por mencionar diversos nomes ligados à facção na região norte do estado, o que, segundo os investigadores, reforça a hipótese de promoção direta do grupo criminoso. Ainda conforme a Polícia Civil, o conjunto dessas evidências diferencia as composições de simples expressões artísticas, sendo interpretadas como conteúdo que exalta símbolos, membros e a estrutura da organização criminosa. O caso segue sob investigação.
Busca territorial
Dentre os elementos apurados, as investigações também apontaram que o grupo criminoso buscava exercer influência territorial sobre o Complexo Residencial Isabel Campos (CPX) e bairros adjacentes, estabelecendo regras próprias e monitorando a circulação de pessoas e a prática de atividades ilícitas na região.
Segundo as investigações, o grupo dava preferência para que integrantes da facção morassem na invasão, sendo também revelado a existência de um sistema de organização por áreas, com responsáveis designados para bairros específicos, evidenciando a estrutura hierarquizada e a tentativa de estabelecer um poder paralelo em regiões da Grande Cuiabá.
De acordo com os elementos reunidos no inquérito, criminosos que atuavam na área precisavam comunicar previamente suas atividades aos responsáveis locais da facção, sob pena de sofrerem punições internas. A medida era utilizada para manter o domínio sobre o território e garantir o controle das atividades criminosas desenvolvidas nas comunidades.
A investigação identificou também que integrantes da facção utilizavam moradores para monitorar a presença de viaturas e repassar informações sobre movimentações policiais, permitindo a rápida dispersão de suspeitos e dificultando a atuação das forças de segurança.
“O mecanismo de vigilância comunitária forçada era utilizado como uma das estratégias utilizadas pela organização criminosa para manter o domínio territorial e evitar a repressão estatal”, explicou o delegado responsável pelas investigações, Antenor Junior Pimentel Marcondes.

