EVOLUÇÃO CIENTÍFICA

Terapia com células-tronco permite que pacientes com diabetes tipo 1 fiquem sem insulina por até um ano

A terapia experimental utiliza células-tronco pluripotentes transformadas em células produtoras de insulina e, em testes iniciais, permitiu que dez dos 14 pacientes participantes ficassem sem necessidade de aplicações de insulina durante um período de um ano.

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o próprio sistema imunológico ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. A condição costuma surgir na infância ou adolescência e exige acompanhamento contínuo, além do uso diário do hormônio para controle dos níveis de glicose no sangue.

Segundo a endocrinologista Maria Elizabeth Rossi da Silva, chefe do Laboratório de Investigação Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a doença se diferencia do diabetes tipo 2 por não estar relacionada a fatores como obesidade ou envelhecimento.

A nova terapia consiste na utilização de células-tronco provenientes de doadores, que são modificadas em laboratório para se tornarem produtoras de insulina. Em seguida, essas células são implantadas no fígado do paciente por meio da veia porta. Para evitar que o organismo rejeite as novas células, os participantes precisam utilizar medicamentos imunossupressores.

Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores alertam que o estudo ainda está em fase inicial. Além do acompanhamento limitado a um ano, o tratamento apresenta custos elevados e ainda não possui viabilidade para aplicação em larga escala.

Além dessa abordagem, outras linhas de pesquisa vêm sendo desenvolvidas para combater o diabetes tipo 1. Entre elas estão medicamentos capazes de retardar o aparecimento da doença em pessoas com predisposição genética, técnicas de edição genética para tornar células produtoras de insulina menos suscetíveis ao ataque do sistema imunológico e estudos envolvendo transplante de ilhotas pancreáticas.

Enquanto uma cura definitiva ainda não está disponível, tecnologias como sensores contínuos de glicose e bombas de infusão de insulina já vêm transformando a rotina dos pacientes, proporcionando maior controle da doença e melhor qualidade de vida.

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