ATAQUE BRUTAL

Mulher espancada por professor relata viver com medo após agressões

Uma mulher, cuja identidade foi preservada, relata viver em pânico constante após sobreviver a uma tentativa de feminicídio dentro da própria casa, no Distrito Pingo D’água, em Querência, a 945 km de Cuiabá. Em entrevista ao SBT Cuiabá, ela detalhou o ataque brutal do companheiro, que invadiu sua residência, agrediu-a e deu um ultimato macabro: aceitá-lo de volta ou “sair dali dentro de um caixão”. O juiz da Vara Única de Querência, Thalles Nóbrega Miranda Rezende de Britto realizou agora a pouco a audiência e decretou a prisão preventiva.

De acordo com seu depoimento, o relacionamento começou em 2021 e o casal passou a morar junto em 2023, após o nascimento do filho, uma criança diagnosticada com transtorno do espectro autista. A vítima acreditava que a convivência era pacífica por causa dos cuidados compartilhados com a criança, mas a situação se tornou um pesadelo.

“Ele quebrou a minha casa e invadiu. Me agarrou pelo braço, me jogou no sofá e disse que eu tinha que aceitar ele ou sair dali dentro de um caixão”, contou a mulher, ainda traumatizada.

O  professor Clayton Reis Divino, de 47 anos, segundo ela, demonstrou total descaso pela lei. “Ele falou que, se eu denunciasse, eu iria para o caixão e ele para a cadeia, mas que não ficaria preso por muito tempo. Disse que quando saísse, ia me matar.”

Antes do ataque físico, a vítima já sofria meses de tortura psicológica. “Ele dizia que ia se matar, que sem mim não conseguia viver. Falava que, se me visse com outra pessoa, não responderia por ele e que me mataria.”

A tentativa de assassinato aconteceu na frente do filho pequeno. Enquanto a criança chorava e tentava puxar a mãe para longe, a mulher lutava pela vida. “Eu só pensava no meu filho. Falava que ia morrer. Se não fosse a vizinha, ele teria me matado.”

A intervenção heroica de uma vizinha, que enfrentou o agressor em uma luta corporal, impediu o pior. Mesmo assim, a vítima ficou com ferimentos e em estado de choque. “Foi tentativa de homicídio. Eu estou toda machucada, dolorida. De tanto lutar para sobreviver.”

Apesar de ter registrado ocorrência, o medo a persegue. A ideia de fugir parece inútil. “Minha mãe quer que eu vá embora, mas não existe ir embora. Ele vai me achar.” Seu maior temor é pela segurança do filho. “Eu só penso no meu filho. Ele precisa de mim. Tenho medo de ele me matar ou de machucar a coisa que eu mais amo.”

Em um desabafo que reflete a angústia de muitas vítimas, ela critica a sensação de impunidade: “Ele paga de bom moço na sociedade. Não tem passagem, é réu primário. Vai sair logo. E eu continuo com medo.”

 

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