José Inácio de Jesus Brito, de 19 anos, foi assassinado com um único disparo de pistola na cabeça na madrugada desta segunda-feira (25), às margens da rodovia BR-158, após ser mantido em cárcere privado, amarrado e tortrado por membros de uma organização criminosa em Bom Jesus do Araguaia. Um amigo que o acompanhava conseguiu fugir correndo por uma plantação de milho e sobreviveu.
O crime teve início por volta das 19h do dia 25, quando José Inácio e a vítima sobrevivente, um jovem de 20 anos, deslocaram-se até a Vila Planalto com o objetivo de comprar maconha para consumo na fazenda onde trabalhavam, a CR Agro Bom Jesus. Os dois seguiram até um ponto de venda de entorpecentes conhecido entre usuários como “biqueira da Luciana”.
Ao chegarem ao imóvel, foram convidados a entrar e aguardar sob a justificativa de que passariam por uma “triagem” para verificar se eram confiáveis. Os traficantes chegaram a entregar a droga — 25 gramas para cada um. Neste momento, porém, a suspeita, uma mulher de 40 anos, passou a enquadrar as vítimas utilizando uma pistola preta.
Os aparelhos celulares das vítimas foram subtraídos e revistados. Durante a verificação do telefone do jovem sobrevivente, os criminosos localizaram uma fotografia onde ele aparecia realizando um gesto com três dedos da mão — supostamente uma menção a uma facção criminosa rival.
A partir daí, as vítimas foram obrigadas a sentar ao chão, tiveram mãos e pés amarrados e permaneceram em cárcere privado por aproximadamente três horas. Durante o período, a suspeita realizou uma ligação telefônica para um terceiro indivíduo, que ao atender pronunciou as palavras “Disciplina da Família”. Foi relatada a situação envolvendo a fotografia.
Por volta das 22h, chegaram ao local mais dois indivíduos, ambos de porte físico médio a gordo, sendo que um deles aparentava ser o líder do grupo — descrito como homem de cabelos castanhos curtos e barba, “galego”. Os suspeitos colocaram as vítimas no interior de um veículo e seguiram pela BR-158, sentido Antigo Posto da Mata. A motocicleta utilizada pelas vítimas também foi levada, conduzida pela suspeita.
Após percorrerem aproximadamente cinco quilômetros, as vítimas foram desembarcadas às margens da rodovia e obrigadas a permanecer ajoelhadas na beira da estrada. Em dado momento, o suspeito identificado posteriormente como “Disciplina”, autointitulado membo da facção, sacou uma pistola e efetuou um disparo na cabeça de José Inácio de Jesus Brito, que caiu imediatamente ao solo.
Ao visualizar o amigo alvejado, o sobrevivente saiu correndo em direção a uma lavoura de milho existente nas proximidades. Durante a fuga, ouviu diversos disparos de arma de fogo efetuados em sua direção, todos com intenção de ceifar sua vida. Escondido no milharal por alguns minutos, percebeu que os suspeitos haviam deixado o local e então deslocou-se até a BR-158 em busca de socorro, sendo auxiliado por um caminhoneiro não identificado que o deixou na fazenda onde residia.
A polícia foi acionada e, com as informações precisas fornecidas pela vítima sobrevivente, realizou adentramento tático no imóvel conhecido como “biqueira da Luciana”, culminando na prisão dos suspeitos — a mulher de 40 anos e dois homens, de 28 e 35 anos. A vítima sobrevivente reconheceu de forma imediata, segura e inequívoca os suspeitos como participantes diretos dos fatos.
O terceiro suspeito, apontado como autor dos disparos, foi localizado em um veículo em alta velocidade próximo à saída da cidade. Ao avistar a equipe policial, iniciou imediatamente um processo de destruição de seu aparelho celular, colocando fogo no dispositivo até sua completa inutilização. Durante a abordagem, foi possível constatar a presença de sangue seco em sua cabeça, aparentando ser de terceiro, haja vista que o suspeito não apresentava ferimentos aparentes na região.
No imóvel, foram localizadas porções de drogas, dois aparelhos celulares quebrados — destruídos intencionalmente para ocultar provas — e uma espingarda do tipo PCP. Segundo relato da vítima sobrevivente, os suspeitos possuíam três pistolas e uma espingarda calibre 12 durante a execução criminosa.
Todos os suspeitos, bem como a vítima sobrevivente, foram encaminhados ao Hospital Municipal para realização de exame de corpo de delito. O sobrevivente apresentou hematomas recentes e escoriações em terço superior do braço esquerdo, terço superior da coxa esquerda e hematomas recentes na região dorsal de ambos os pés — lesões compatíveis com amarração, cárcere privado e tortura.
Os suspeitos foram presos e conduzidos à Delegacia de Polícia de Ribas Cascalheira. As investigações seguem para identificar se há mais envolvidos na execução do jovem José Inácio de Jesus Brito.

