Dhone Baltazar de Sousa, de 40 anos, foi morto e teve o corpo abandonado às margens da Estrada Virgínia, em Sinop, na manhã desta segunda-feira (19). O cadáver foi localizado por equipes da Polícia Militar, que acionaram a perícia técnica para os procedimentos no local.
Durante os trabalhos periciais, os agentes encontraram, nas proximidades do corpo, um ticket do Shopping Sinop. No comprovante constava a placa de um veículo, que, após checagens, foi identificado como um Volkswagen Polo de cor cinza. A partir dessa pista, a equipe de inteligência do 3º Comando Regional iniciou diligências para localizar o automóvel possivelmente envolvido no crime.
Por volta das 18h, em ação conjunta com a equipe do Grupo de Apoio (GAP), o veículo foi encontrado na Avenida Maringá, bairro Menino Jesus. Na abordagem, os policiais localizaram o motorista, um homem de 32 anos que atua como motorista de aplicativo. Em entrevista aos militares, ele relatou que, na noite de 18 de outubro, entre 21h30 e 22h, recebeu uma solicitação de corrida via WhatsApp para o bairro Boa Esperança, na Rua 11.
Segundo o relato do condutor, ao chegar ao endereço, ele entrou no pátio da residência e avistou um homem vestindo camiseta vermelha e pano branco, respirando com dificuldade, na área coberta da frente da casa. Havia ainda outros três indivíduos no local. A vítima foi colocada no porta-malas do Polo, e o motorista afirmou ter recebido R$ 200,00 pela corrida, valor comprovado por meio do aplicativo PicPay.
O suspeito contou que foi orientado a seguir até a Estrada Virgínia, onde Dhone ainda estava vivo, mas foi esfaqueado pelos demais envolvidos antes da fuga. Após o crime, todos retornaram à residência no bairro Jardim Boa Esperança, na Rua 11. O motorista indicou com precisão o local onde deixou os suspeitos.
A informação foi repassada à equipe ARI CR3, que confirmou a presença de um dos envolvidos na casa. Em diligência conjunta com a equipe RAIO, os policiais entraram no imóvel, momento em que diversos indivíduos tentaram fugir pulando muros. Foram abordados dois adolescentes, de 17 anos.
Em interrogatório separado, ambos apresentaram versões semelhantes: um dos envolvidos teria recebido a missão de matar a vítima, acusada de aliciar menores e mulheres adultas. Esse indivíduo teria convocado os demais para espancar, amarrar, torturar e posteriormente matar Dhone, em troca de 100 gramas de óleo — substância análoga à pasta base de cocaína.
Os dois confessaram participação no homicídio e na ocultação do cadáver, afirmando que o chefe da ação foi outro homem, que não foi localizado na residência. O motorista de aplicativo confirmou, por meio de fotos, que os dois detidos estavam dentro do VW Polo no momento da ocorrência. Nenhum dos apreendidos apresentava ferimentos recentes; um deles tinha apenas lesões antigas na região das costas.
O condutor ainda informou aos policiais que levou seu veículo a um lava-jato na Avenida André Maggi, ao lado da Casa Aurora, por volta das 10h, devido ao mau cheiro do sangue, mas não se recordava do nome do estabelecimento.

