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“Ele procurava um motivo para atirar”: advogado denuncia investigador por ameaça e agressão

O advogado Weslley Silva de Araújo, de 32 anos, registrou um boletim de ocorrência contra um investigador da Delegacia da Mulher de Várzea Grande (MT) por ameaça, intimidação e agressão. O caso aconteceu na tarde desta segunda-feira (1º), na Rua Afonso Amaurílio, no bairro Centro-Sul, em Várzea Grande.

De acordo com o relato do comunicante, os fatos teriam origem em um desentendimento ocorrido no dia 27 de maio. Na ocasião, a esposa do advogado passeava com o cachorro da raça Pitmonster quando dois cães saíram de uma residência e tentaram atacar o animal dela. Um dos cães acabou sendo mordido na boca. Uma moradora da casa começou então a agredir verbalmente a esposa do advogado e ainda teria jogado um tamanco em sua cabeça. Todos os envolvidos foram encaminhados à delegacia naquele dia.

Já no dia 1º de junho, enquanto Weslley passeava com o mesmo cachorro, foi abordado por um homem que dirigia um C3 Aircross — veículo que, conforme imagens e posterior confirmação, trata-se de um automóvel de uso exclusivo da polícia. O condutor identificou-se como policial, retirou um distintivo de dentro do console do carro e o colocou no pescoço. Tratava-se de João Paulo de Oliveira, investigador lotado na Delegacia da Mulher de Várzea Grande.

Segundo o advogado, o investigador questionou se ele era o dono do cachorro que teria atacado o animal da vizinha. Weslley respondeu que seu cão não atacou ninguém, apenas se defendeu, lembrando que o único animal que estava na guia era o dele. O investigador, então, saiu do veículo e passou a ameaçar tanto a vítima quanto o cachorro, dizendo que atiraria no animal se ele passasse em frente à sua casa.

O advogado relatou ainda que, em um segundo momento, conforme registrado em vídeo, o investigador o agrediu fisicamente, sabendo que ele não revidaria. Isso porque, a todo instante, João Paulo sacava e guardava a arma, aparentemente buscando um motivo para atirar. Em dado momento, o investigador chegou a alegar que a vítima estava armada, mas as imagens mostram claramente que se tratava de uma arma branca de cor azul — na verdade, um recipiente com água utilizado para espantar outros cães durante os passeios.

O advogado ligou para o 190, mas acabou dispensando o atendimento presencial por considerar que perderia tempo na delegacia, optando por registrar a ocorrência de forma online. No boletim, Weslley afirma que o investigador usou do aparato do Estado, se identificou como policial e o ameaçou, intimidou e agrediu por conta da confusão envolvendo os cachorros. Ele suspeita que João Paulo já o procurava, já que ambos costumam sair para passear nos mesmos horários. A Polícia Civil foi acionada e deverá investigar a conduta do investigador. 

Nota da Polícia Civil:

A Polícia Civil confirma o boletim de ocorrência de natureza ameaça, registrado através da Delegacia Digital, na noite de segunda-feira (01.06).

Conforme narrativa do comunicante, os fatos ocorreram na tarde do dia 01/06/2026, no bairro Centro Sul, município de Várzea Grande.

A Corregedoria Geral foi comunicada acerca das informações registradas para providências cabíveis, bem como irá apurar as circunstâncias do fato ocorrido.

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