O dono do cachorro da raça Pitbull encontrado enterrado vivo em um terreno no bairro Coxipó da Ponte, em Cuiabá, prestou depoimento à Polícia Civil nesta sexta-feira (9). Ele negou ter agredido o animal e afirmou que o enterrou por acreditar que ele já estava morto em decorrência de uma doença pré-existente.
O homem, de 39 anos, compareceu à Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema) acompanhado de seu advogado. O interrogatório faz parte das investigações do inquérito policial instaurado para apurar o caso de maus-tratos que gerou comoção e revolta nas redes sociais.
A Polícia Civil aguarda agora a conclusão de perícias cruciais para confrontar a versão do investigado. Foi solicitado à Politec o laudo de necropsia do corpo do cão, chamado Vivente, e à clínica veterinária que o atendeu, o prontuário médico completo. O objetivo é determinar se as lesões e a causa da morte do animal são compatíveis com a alegação de doença ou se indicam violência.
Relembre o caso
O fato veio à tona no último sábado (3), após uma denúncia anônima. Policiais militares atendendo a ocorrência encontraram o Pitbull soterrado em um terreno, ainda com vida, mas em estado crítico. O animal apresentava extrema debilidade, sinais de desfalecimento e uma grande ferida aberta na lateral do corpo.
Equipes do bem-estar animal e do Corpo de Bombeiros foram acionadas para o resgate de emergência. Durante os trabalhos, descobriu-se que o cachorro pertencia a moradores da casa ao lado. A mulher do investigado, de 25 anos, afirmou à época que o cão estava doente e que ela não tinha condições de cuidá-lo, delegando ao marido e a um amigo a responsabilidade de “dar um fim” no animal. Ela foi conduzida à Central de Flagrantes.
Após o resgate, Vivente foi levado às pressas para uma clínica veterinária, onde lutou pela vida por cinco dias. Na madrugada de quinta-feira (8), ele não resistiu a duas paradas cardíacas e morreu. A suspeita principal dos veterinários é que o óbito foi causado por uma infecção generalizada (sepse), resultante de um processo infeccioso crônico instalado muito antes do resgate.

