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Apreensão de soja contaminada aponta ligação entre gigantes do agronegócio

Colheita de soja deve crescer no Brasil em 2025. Foto: Reuters

Uma recente apreensão de farelo de soja contaminado com areia no porto de Paranaguá (PR) revelou conexões comerciais entre grandes empresas do agronegócio brasileiro. Documentos indicam que o material apreendido na esmagadora de soja da Queiroz Agro pertence à Engelhart CTP Brasil S.A. (ECTP), conhecida como BTG Pactual Commodities S.A., com sede em Londres.

O caso também expôs a relação comercial entre o BTG Pactual e o Grupo Safras, empresa do setor agrícola que enfrenta uma crise financeira. Relatos apontam que o Safras tem enviado volumes de soja ao BTG Pactual Commodities, uma vez que a empresa está impedida de operar diretamente devido a execuções judiciais. Produtores rurais da BR-163 afirmam que aguardam pagamento por grãos entregues ao Safras há mais de um ano.

A crise financeira do Grupo Safras, liderado pelo ex-prefeito de Sorriso (MT), Dilceu Rossato, ultrapassa R$ 2,5 bilhões, afetando pequenos e médios produtores. Nos últimos anos, ativos como armazéns e uma esmagadora foram transferidos ao BTG Pactual. Recentemente, surgiram informações de que o controle do Safras poderia ter sido adquirido pelo Flowinvest, fundo de investimentos com sede no Paraná, que anunciou a nomeação de um novo CEO.

A Engelhart declarou que não possui relação acionária ou de parceria com o Grupo Safras, limitando-se a um contrato de prestação de serviços. A empresa informou ainda que registrou boletim de ocorrência ao detectar a adulteração do farelo de soja e colabora com as investigações em andamento.

O Flowinvest negou ser acionista do Grupo Safras, afirmando que sua relação com a empresa é estritamente creditícia, resultado de financiamento anterior. A empresa também declarou que não teve qualquer envolvimento comercial com o frigorífico Redenção. Já a GT Foods destacou que sua recuperação judicial foi concluída em 2020, com o cumprimento integral de seus compromissos.

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